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quarta-feira, 16 de março de 2022

SONHO





                     



Sonhei com um mundo utópico. Sem pandemia, catástrofes, violência,  miséria, preconceitos.

Sonhei sermos todos iguais, em  direitos  e deveres. Zero preconceito de raça, gênero, orientação  sexual, religião, cultura.  Que os políticos serviam ao país, e prestavam contas de seus feitos, e caso não tivessem  contribuído para a melhoria da sociedade, durante sua gestão, por projetos  sociais,  teriam que prestar contas, devolvendo parte de seus ganhos.  Sem verbas de representatividade, e sim bônus sobre  contribuições importantes do parlamentar. Sem imunidades parlamentares. Cometeu crime, é processado e se condenado,  preso, e perde o mandato. Sem reeleições sucessivas. Máximo de duas,  com intervalo de dois anos.

Sonhei que as pessoas  se importavam, realmente, umas com as outras, se  ajudavam e procuravam colocar o interesse da coletividade na frente dos seus. Que os países respeitavam a autonomia de seus  vizinhos, não interferiam e colaboravam para o crescimento mútuo. Mundo sem fronteiras, com aceitação e respeito pelas diferenças. 

Enfim,  sonhei um mundo quase que perfeito e  difícil de se  tornar real, considerando que somos todos seres imperfeitos. Mas todo sonho merece ser idealizado,   gestado, nutrido com carinho até  conseguirmos as condições de ser realizado.

 Há  que plantar as raízes deste sonho, e quem sabe um dia,  em gerações próximas, possa começar  a tornar-se possível e realizável.
Sonhar é  lindo. Tornar o sonho realidade, maravilhoso. Vamos sonhar juntos, e quem sabe, o sonho vire realidade.


Cida Guimarães

2022 

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Amor e romance nos tempos atuais !




O amor  romântico dos filmes/ livros de príncipes encantados,  dos romances água com açúcar de M. Delly, Magali,  outros,  são, definitivamente, coisa do passado. Hoje, as antigas meninas-moças, ingênuas, recatadas, são mulheres empoderadas, seguras de si, e, geralmente, céticas quanto a príncipes encantados, que na maioria das vezes se tornam sapos. 
Há diferentes formas de relacionamentos: héteros, ‘homo’, abertos, trans, à distância e os códigos são pessoais, assim como as formações familiares são as mais distintas.

 A vida sexual inicia cedo, e acabou-se o encantamento da sedução, dos bilhetinhos amorosos, do flerte,  de ficar secando o outro, como dizíamos.  Fim de romance, de idealizações.  Positivo? De um certo ângulo, sim.  Por outro lado, é  cínico  e amargo. Muita coisa deixou de existir. Muitos passos foram abolidos.

Lembro como era demorado deixar pegar na mão;  que incrível foi o primeiro roçar de dedos, primeiro beijo.  Perdeu-se algo? Com certeza, ficamos mais amargos, céticos, e muito do encantamento se desfez. Ganhou-se também. Sempre as perdas e ganhos, a constante de nossas vidas. Havia muita ilusão, fantasias  e quando a realidade dava as caras, o desastre era iminente.

São  dois polos, extremos, e nenhum dos dois é positivo. Precisamos da realidade, de conhecer o outro, de desmistificar o sexo, mas também, agora, há  falta de sonho, fantasia e romance, que também é  frustrante. 
O sexo como início de um relacionamento é pular etapas essenciais, fundamentais se a relação não for só  fogo de palha. O que atrai no outro, a fase inicial da paixão vai temporalmente, dar lugar a pequenas desilusões, à realidade, que nunca é  perfeita. Precisamos conhecer os buracos negros do outro, e ainda assim, amar esta pessoa, como ela é,  sem a idealização. Aceitar as falhas dos outros para também aceitarem as nossas.  Ninguém  é  perfeito. O romance, a fantasia, e o sonho são essenciais, mas olhar e apreciar o real, sem as camadas superpostas  por  nossa fantasia é  fundamental para que a relação perdure.

Acredito que falei em uma postagem anterior que amar é um ato, uma decisão. Eu escolho amar alguém ou continuar a amar quando já está clara, evidente a face oculta da pessoa. Nós também já revelamos nosso lado escuro, e esperamos aceitação. É o amor incondicional. Temos este amor por nossos pais, filhos.  Independente do quanto tenhamos sido magoados, frustrados em nossas expectativas, continuamos a amar. É  este amor que precisa estar presente para que um relacionamento sobreviva ao desgaste do tempo.

Tudo está em eterna mudança, e novas formas de amar, e se relacionar, provavelmente,  ocorrerão, mas o amor verdadeiro é eterno. Precisamos nutrir e regar, diariamente,  este sentimento  para que o mesmo ilumine nossos dias, com a linda sensação de pertencimento, acolhimento e paz.





Meus voos sem rede


 


Sou ariana, impetuosa,  e arrisco, às vezes, de forma desnecessária. Dizem que após a metade de nossa vida, nos tornamos nosso ascendente. Então, hoje, quando já ultrapassei, em muito, a metade  de minha vida, sou mais taurina;  pé no chão, mais reflexiva e atenta.  Entretanto, ainda há resquícios importantes. Preciso terminar o que comecei, quero resultados, e  acabo me precipitando.

A escrita sempre fez parte de minha vida.  Quando adolescente, adorava escrever e receber cartões postais/ cartas, que já não são  parte de nossa realidade.  Coisa do passado, quando, sempre, havia alguém que te enviava um postal, e era pura emoção. Meus pais, amigos, quando viajavam sempre enviavam. Era a forma de demonstrar carinho, e que se lembravam de nós.  Meu irmão, José,  na época,  caixeiro viajante,  passava  longos meses fora, e nos correspondíamos por cartas.  

 No mundo atual, a comunicação escrita  passou a ser  curta, objetiva, abreviada em mensagens telegráficas de "whatsapps","twitter". Ninguém mais tem paciência em ler textos longos, em buscar informação.
Utilizei  muito a escrita, nos estudos, como uma ferramenta para  fixar  mais facilmente um conteúdo.  Mais tarde,  comecei a registrar eventos, e iniciei um diário; depois,  vieram os ‘blogs’, primeiro o de viagens, e depois, sobre meus cursos e reflexões. Entretanto,  foi somente no final de 2021, que comecei a escrever poemas. Eles foram aflorando  em consequência   de  um acontecimento, um sentimento, e minha necessidade de colocar o que sentia no papel. Fiz vários.  Talvez o fato de ter mais tempo livre, minha vida pessoal estar em paz, pude focar em sentimentos e emoções vividas no passado, e outras, atuais,  relacionadas aos meus entes queridos.

Como venho participando de alguns grupos de escrita, tenho publicando minhas poesias, nestes grupos, e recebido avaliações encorajadoras, que me levaram a uma aventura maior. No final de 2021,  publiquei meu primeiro livro, "Pedacinhos de Mim"  com minhas reflexões e poemas.  Voo livre, sem rede de proteção.



Acredito que me precipitei.  Nunca havia pensado em lançar um livro e foi somente seguindo sugestões,  que resolvi juntar minhas reflexões e poemas, e fazer um livro eletrônico. Não sabia quase nada sobre o processo para publicação, e não queria gastos com edição, diagramação,  ilustração, etc. 
Só já no processo de publicação descobri ser necessário, se eu quisesse depois lançar uma versão impressa, ter um ISBN (International Standard Book Number). Comprei. Meu livro tem um número que o identifica, necessário para impressão. Muitos passos que eu ignorava, e abordo aqui na expectativa de ajudar outros, que estejam pensando em publicar,  a terem uma ideia mais clara do que está envolvido. 

 Teria valido a pena investir para ter um produto de mais qualidade, com estratégias de "marketing" e ter poupado muito trabalho com formatação, etc. Lendo a respeito, constatei que pulei etapas,  e há que ter cuidado até mesmo com o título. É necessária uma pesquisa cuidadosa para ver se há  similares no mercado, e como  fazer a divulgação.  Estava com pressa de observar o resultado, e criei meu primeiro livro na Amazon. Até hoje, ninguém comprou ou leu. Provavelmente, viram as páginas de amostra, e não quiseram investir na compra. Ficou caro. Também não tive retorno ou uma avaliação direta, honesta. Ah! Coloquei, no livro, que minhas reflexões e poemas se encontravam em meu ‘blog’. Para que comprar, então, se estavam disponíveis no site?  Depois lancei a versão impressa no Clube de Autores e também na Amazon. Difícil porque me atrapalhei com a formatação e não gostei do resultado.   Foram voos sem rede de proteção. 

Esta semana, estive assistindo um curso da Lilian Cardoso sobre publicação de livros, e  me dei conta que é um processo que tem que ser muito bem bolado para resultar em sucesso. Não que eu espere ficar famosa, ganhar muito dinheiro. Quero somente retorno,  avaliações honestas. É como se tivesse feito uma performance, sem auditório, no vazio. Tudo que fazemos necessita ter alguma resposta. O silêncio é muito desanimador.

 Não sou uma pessoa medrosa ou que não se lança em um projeto com receio do resultado. Quando acredito em algo, faço, me arrisco. Já fiz "podcasts" sem entender nada sobre esta mídia, sem um aparelho de gravação legal, com ruídos externos atrapalhando.  Depois, julguei que a qualidade estava pobre, e os apaguei, mas houve quem tivesse curtido ou pelo menos  foi o que me disseram. Falso elogio? Talvez. 

Lições aprendidas? Com certeza. Já tenho vasto material para um talvez, próximo livro, mas vou procurar avaliar melhor, ter mais calma e cuidado com todas as etapas. Não me precipitar e  vou colocar redes de proteção. Talvez, ajudem !
Se após lerem este texto resolverem ler meu livro, comentem, critiquem,  mas deem retorno para eu decidir se devo  continuar ou, quem sabe, parar. Obrigada!


quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Adeus 2021!

 
A vida é uma seara complicada, repleta de surpresas. 
O inesperado está, sempre, a nos pregar peças. Entretanto, mesmo quando a carga está muito pesada, agradecer, há tanto. Precisamos manter acesa a esperança que, um dia, mudanças possam ocorrer, ou que por fim, nós  estejamos mudados, e tudo seja, então, diferente.

 Quem sabe? Vale acreditar!

 Neste  final de 2021, mais do que brindar ao novo, quero me despedir deste ano  que termina, dando, primeiro adeus a tudo que foi negativo: pandemia e suas variantes, às crises de todas as ordens,  às  calamidades, às mágoas, decepções, sonhos perdidos; segundo, porém mais importante, quero agradecer a  benção de estarmos (eu e meus familiares) vivos, com saúde, e pelas conquistas pessoais e familiares. 
Adeus 2021, ano difícil, de luta. Obrigada pelas lições vividas. Será que foram, finalmente aprendidas?  
Obrigada por eu ainda estar com todas minhas faculdades, físicas e mentais intactas, e ter disposição para fazer diferente, e continuar lutando para realizar meus  pequenos e grandes sonhos.
 GRATIDÃO!  Que venha 2022! 
Novo ano, novos sonhos, novas conquistas, algumas decepções, mas sempre haverá algo de inesperado e surpreendente, ou pelo menos esta é a esperança. Listas de intenções, mil superstições: pular 7 ondas, comer lentilhas, não comer animais, que cisquem para trás, vestir branco. Nada disto! Sem rituais. É  só  mais um dia que começa, um novo amanhecer, um novo despertar. Tudo vai mudar, será? Vai depender principalmente de mim, de minhas escolhas.
Pretendo fazer minha parte para ser um ano bom. Acredito no sonho. Acredite também. Faça a sua parte. Faça acontecer.
                 FELIZ 2022 !

sábado, 27 de novembro de 2021

Desilusões!


 Ah se não tivéssemos tantas expectativas sobre lugares, pessoas, acontecimentos! Não sofreríamos tanto!

 Raramente as coisas acontecem como esperávamos e isto se aplica a  acontecimentos, lugares, pessoas. É inevitável o sentimento de frustração, desilusão. De quem é a falta?  Geralmente culpamos a vida, os outros, mas somos nós os responsáveis por este sentimento, pois criamos ilusões de que as coisas serão distintas, e temos dificuldade em lidar com a realidade que nunca é como imaginada.  Sempre queremos o sonho, a atitude considerada do outro, a lembrança, o gesto de apreciação, a palavra carinhosa, ou no mínimo a lembrança, ou  suporte na dificuldade.  Fica o vazio, a realidade que te joga no chão. 

Kain Ramsey, em uma de suas publicações, disse: "Nunca fique obcecado em como você pensa que as coisas deveriam ser em qualquer aspecto da vida, pois você perderá a possibilidade de apreciar  as coisas como elas são. "
Fazemos isto? Não, eu pelo menos, na maioria das vezes, me decepciono muito, e tenho procurado  mudar, não criando expectativas  ou pelo menos ter a realidade presente.

 Ainda, segundo Kain, há duas categorias de pessoas: consumidores e contribuidores.
 Os  consumidores, e isto se aplica a ideias, conceitos, produtos, lugares e até mesmo pessoas usam, consomem, e nunca estão satisfeitos com sua realidade. Tem opinião sobre tudo e querem gerenciar até mesmo a vida dos outros, mas nunca estão satisfeitos com a sua própria vida. Estão, sempre, em busca, usam e descartam sem avaliar os benefícios  e/ou malefícios, ou como estão impactando a  vida dos demais. São cansativos de se ter por perto, pois não enxergam o outro, obcecados demais com suas ilusões, e seu egocentrismo.

 Os contribuidores, por outro lado, tentam resolver problemas, criar alternativas, compartilhar suas descobertas. Enxergam seus pontos falhos, e estão em busca de seu crescimento pessoal. Não se desiludem tão facilmente, pois não criam expectativas irreais, fantasiosas sobre o outro, ou as circunstâncias de sua vida.

 Acredito que imperfeito que somos, ninguém é exclusivamente consumidor ou contribuidor, mas tende mais para um ou para outro. Identificar nossas tendências e como as mesmas impactam nossa noção de realidade e nossas interações é um passo importante em nosso processo de desenvolvimento.

Você se considera  mais um consumidor ou um contribuidor? Como você lida com a realidade? Tenta  encontrar alternativas para contornar problemas/dificuldades e não se deixa abater por desilusões ou quer tudo de seu jeito e qualquer tranco da vida te coloca em um buraco? 


Cida Guimarães
27/11/2021

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Monstrinhos danosos




Ontem, dia 31/10, "Halloween",  havia  muitas crianças nas ruas, vestidas de fantasminhas, bruxas, nesta tradição de origem celta, celebrada, atualmente, também no Brasil. É uma das datas mais importantes, bonitas e divertidas no hemisfério norte.  Em meus 35 anos de professora, sempre ensinei e engajei meus alunos nas atividades. Ao aprender um idioma,  é necessário conhecer a cultura e tradição do país, cuja língua se estuda. 
Entretanto, quando esta tradição é importada e passa a fazer parte de nossa cultura, surgem as indagações: por que  uma cultura, tão rica, como a nossa não  celebra eventos importantes nacionais? Por que não saímos com uma lamparina, vestidos de saci pererê, história que é inspiradora, e ao invés disto,  copiamos e seguimos festas que não têm  nada  a ver com a nossa  história/ tradições?

 Copiar, querer ser igual a outro povo? Acreditamos serem,  eles,  melhores? Em um processo de associação  de ideias pensei em como alguns  sentimentos  são como  monstrinhos danosos, que se apossam de nós, em determinados momentos. 

Dois que considero perniciosos e muito semelhantes, de diferentes maneiras, são a INVEJA e o CIÚME.  Andam lado a lado. São monstros de olhos verdes.
Um quer o que o outro tem; o outro  teme perder o que pensa que tem. Ambos não tem consciência do que são e têm.
Invejamos no outro o que pensamos não ter em nós; temos ciúmes do que pensamos ser  nosso. Sentimentos que nos assolam em diferentes momentos  e deixam um sabor de fel.
São sentimentos  tristes, negativos, deploráveis, mas todos nós os sentimos em diferentes situações, e em diferentes graus. Como os combater? Como se livrar destas ervas daninhas?


É lugar-comum o ditado que  "a grama do vizinho sempre parece mais verde". Sempre pensamos que a vida dos outros é  melhor que a nossa. Copiamos costumes, trajes, queremos ser como os outros; dos quais, na maioria das vezes, sabemos pouco.  Só conhecemos a aparência, a fachada. Não vivemos suas lutas,  dores,  dificuldades, e julgamos baseados em uma visão limitada, distorcida da realidade: ‘flashes’,  fofocas, instantâneos.  Provavelmente, os outros também tem visões  distorcidas de nossa vida. Ninguém tem uma vida perfeita, de felicidade plena. Estamos em um mundo de penas e expiações e somos todos seres imperfeitos em busca de crescimento.



O ciúme  também altera nossa visão. Sentimos que fomos lesados; que perdemos algo que consideramos de nossa propriedade.  Tanto a inveja como o ciúme  são instintos que precisam ser reconhecidos em nós, trabalhados, domados  para não transferirmos o que sentimos para o outro. Somente a busca incessante de autoconhecimento e auto gerenciamento nos leva a melhor lidar com estes sentimentos  negativos, instintos  básicos de sobrevivência,  da natureza humana.

No ciúme e na inveja o amor-próprio é altamente atingido. Enquanto na inveja há um sentimento de falta e um desejo de ter o que o outro tem; no ciúme há uma ameaça de perda e um desejo de reter.  Pensa no outro(a) como propriedade. Em ambos os casos, a agressividade e o ódio jogam um papel predominante na relação.

Atualmente, devido a grande exposição das pessoas nas mídias, há muita inveja e ciúme desgastando relacionamentos familiares, amigáveis, e profissionais. Muita dificuldade de valorizar, elogiar, vibrar com o sucesso do outro. São raros os que se posicionam em relação a assuntos controversos, com receio da opinião dos demais sobre si. Falta autenticidade, transparência, humildade e afetividade. 

Iremos, algum dia, extinguir estes monstrinhos danosos de nós, de nossa convivência, da sociedade? Acredito que não. Se estivermos atentos, vigilantes,  com eterno questionamento de nossas atitudes e posicionamentos, talvez, consigamos ir progredindo, dominando estes sentimentos, e auxiliando os demais neste processo de autoconhecimento e gerenciamento de emoções para que elas estejam a nosso serviço e não no controle de nossas vidas e ações. 

CidaGuimarães
31/10/2021

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Qual será seu legado?

 


          


Hoje me peguei pensando nos legados que recebemos ou que poderemos deixar. Já chegou a pensar nisto?   O que  é  um legado? Qual será o seu?

 Conforme o dicionário é  uma disposição, feita em testamento, para benefício de outra pessoa. É  deixar algo de valor ou não.  Vem do latim, "legatus" que na época designava um general de exército romano.
No sentido jurídico,  a palavra legado, nos remete  a bens, heranças ou doações, e de forma imaterial, legados afetivos: herança cultural, lembranças, atitudes, exemplos e feitos  memoráveis.  
Te parece lúgubre pensar em seu legado? Se planejamos nossa vida, por que não pensar como será quando nos formos? Impossível não pensar como, por quem,  e pelo que seremos lembrados, ou até se seremos logo esquecidos.

Quando uma pessoa é famosa, será  sempre lembrada através de sua obra; entretanto, os pobres mortais, que não se destacam em alguma área, serão lembrados ou morrerão, quando aqueles que os amaram, também deixarem de existir ou os esquecerem?

Meus pais e irmãos deixaram  legados distintos e complementares.
Meu pai, suas conquistas através de muito  trabalho,  dedicação, esforço. Sempre salientou a necessidade de prepararmos nosso  futuro,  e virei professora devido a ele. Também me ensinou a poupar, definir prioridades, valorizar o que tínhamos. Herdei, também,  seu amor às viagens. Marcantes, também, eram sua vitalidade,  humor e brincadeiras.
A mãe deixou sua força, fé  e espiritualidade. Sua dedicação à família, seu amor à arte, seus escritos e pinturas. Laerthe, meu irmão mais velho e padrinho,  impossível  não  lembrar  de seus exemplos de correção, seus princípios retilíneos, seu desprendimento, e sua total abnegação aos seus.  Zé, meu outro irmão, também artista, como a mãe, em seus anos de juventude, era o "bon vivant".  Ficou dele, em mim, sua independência, rebeldia, contestação,  e autenticidade.

 Kain Ramsey em seu curso TCC,  ao falar sobre nossos objetivos de vida, destaca a importância de definirmos o que queremos deixar como legado para nossos sucessores. Como gostaríamos de ser lembrados?  O que gostaríamos que fosse inscrito em nossa lápide?
Ao pensar no que ficou em mim dos meus entes queridos, penso que gostaria de ser lembrada pelo meu amor incondicional ao meu marido, filhos e netos; meu embevecimento  pela natureza,  minha ânsia de conhecer/ saber mais sobre o ser humano, minhas postagens, com  resumo de  meus cursos,  e minhas reflexões, onde expresso minha alma.
Um epitáfio que me parece fiel é: "Cida, viveu e amou intensamente".
Talvez, através de minha escrita, os que me sucederem poderão  vislumbrar  um pouco de mim: meus amores,  alegrias, angústias, medos, etc.

Acredito que  permanecemos vivos na memória de nossos seres amados  pelas coisas que nos definem,  marcantes em nós.  Pode ser nosso olhar, jeito de falar, rir, nossas histórias, nosso gênio. As pessoas não marcam somente  pelo que têm de positivo, e bom, mas também pelo distinto, incomum, e até mesmo, negativo.  Somente lembramos quem nos marcou de alguma forma especial. 

 Há pessoas, com as quais não tivemos longo contato, mas foram importantes, especiais.  O legado não foi de coisas perecíveis, mas em  uma forma de ser; nos mudaram enquanto pessoas, em nossa essência. Ensinaram algo, nos tocaram em nosso âmago, nos transformaram.
Acredito que todos desejamos deixar um pouco de nós, que possa fazer alguma diferença na vida dos seres que amamos, e são importantes para nós. 
Pense nisto. O que você  quer legar?


"Live, love, laugh, leave a legacy". Stephen  Covey



CidaGuimarães
2010/2021

domingo, 3 de outubro de 2021

Verdade, Coerência e Autenticidade

O que é a  VERDADE? Há verdades únicas, eternas, ou cada  indivíduo tem  sua verdade, e ela é cambiável?

Somos sempre coerentes,  autênticos em nossas ações, falas, relacionamentos?



Perguntas difíceis de serem respondidas e, possivelmente, as respostas serão  as mais variadas possíveis, dependendo da pessoa, seu momento de vida e  adequação à sua  verdade interior, origem,  valores,  princípios, meio cultural e educação.

Minha verdade será, sempre, pessoal, única e, talvez, para o outro  não faça o menor sentido. É individual e representa o universo de cada um.

 Para que um indivíduo  se torne um ser humano autêntico, a realidade tem que ser  seu norte. De acordo  com Santo Agostinho: “verdadeiro é aquilo que é".  Não usa máscaras,  não tenta ser outro para agradar ou se integrar.
É real, genuíno. 

Difícil, entretanto, se despir de proteções e se mostrar inteiro.  Leva-se uma vida para ir descartando, pouco a pouco, camadas e camadas de crenças limitantes.  Quando há consciência  delas,  do que me move na vida, e que está, lá, no fundo, em minhas entranhas,  guiando minhas escolhas, consigo atingir certa coerência e ser eu mesma, real, verdadeira. Preciso de muita meditação, autoconhecimento e auto-gerenciamento.  Para ser coerente, minhas ações e minha fala  precisam estar em harmonia, e validarem meus pensamentos e valores.

Frequentemente, quando  agimos por impulso, sem avaliar o peso  ou o  significado de nossas  palavras e ações, sem nos questionar  de sua correção, acabamos sendo inadequados, contrariando nosso eu real, sendo artificiais,  não  autênticos. Preciso ser fiel a quem sou, minha verdade, mas com consciência que esta é particular, única e possivelmente não válida para o outro.

Há,  usualmente,  muita disparidade entre  discurso e ação,  principalmente por parte de pessoas públicas, políticos, ou  quando  resolvemos dar conselhos, e ditar regras, que não seguimos fielmente. É difícil confiar quando observamos as divergências e iniquidades.


Vivemos em uma sociedade de aparências, de realidade virtual, e muita exposição. As verdades desaparecem, ocultas por camadas de falsidade.   Vendemos o que somos ou o que queremos que os outros pensem que somos? Difícil dizer porque nosso ego está sempre se interpondo e nos levando a acreditar na opção melhor, a que mais nos enaltece.

Fico por vezes triste e decepcionada com a falta de  verdade,  transparência, e honestidade nas relações.  São omissões, mentiras brancas, meias verdades, que acabam por minar nosso nível de confiança no outro.
Toda relação  depende de confiança, de entrega,  verdade e tolerância. Para nos aceitarem,  temos que saber ouvir com empatia, mesmo que a fala seja conflitante.

 Acredito que a hipocrisia,  as omissões/ mentiras ocorrem porque  o nível de tolerância do outro é desconhecido. Não  nos identificamos com seus valores e tememos o julgamento, a não  aceitação.

Somente as crianças e os loucos conseguem ousar e  se expor, sem receio, sem pudor. Hoje, não me preocupo tanto com a avaliação, validação externa.  Resultado, talvez, de minha idade, que me permite ousar mais sem  medo da crítica, que já  não  me paralisa. 
Sempre seremos criticados e isto irá propiciar uma buscar por melhora contínua. Eu preciso ficar em paz comigo mesma. Meu questionamento e auto-avaliação têm  que ser rigorosos.

 Somente com muito trabalho será possível diminuir as possíveis falhas entre nossa verdade, coerência e autenticidade. 

Trabalho de uma vida!


Cida Guimarães 
03/10/2021

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Qual o papel da escrita em sua vida? (2a parte, dicas de experts)

 

 Você ainda quer ler sobre isto? Gosta de escrever também?   Este texto vem  complementar o anterior, adicionando outros benefícios desta prática, com dicas de profissionais nesta arte. A arte de escrever.

Em minha primeira postagem, falei do papel da escrita em minha vida, e de como  preciso registar ideias e  acontecimentos para lembrar, memorizar, e melhor processar um determinado assunto. Como sou cinestésica e visual, a escrita é crucial em meu processo de aprendizagem. Também curto escrever para me acalmar, repensar determinada situação,  problemática, ou clarear ideias.
  
 Há pesquisas que confirmam que  o ato de escrever é importante na memorização de conteúdo, na cognição.  Evita o envelhecimento dos neurônios e previne doenças. Portanto, o benefício é grande. 

Sei, entretanto, que  amadora que sou, tenho muito a desenvolver, e  estou em busca de aperfeiçoamento.  Resolvi resumir, nesta postagem, alguns conceitos,  estilos de escrita e suas  características principais para auxiliar outras pessoas a escrever melhor.
  Vou citar dois cursos, que achei muito interessantes.  Um de Henrique Carvalho, fundador  do Blog "Viver de Blog", e o outro de Pedro Bial, jornalista e apresentador, que admiro sobremaneira.
 Seus objetivos e estilos são distintos, mas há muitos conceitos que se sobrepõem e fornecem dicas importantes para serem analisadas, usadas e avaliadas.  Vou resumir algumas ideias principais.

 Segundo  ambos, escrever é colocar nosso pensamento em palavras. É registrar o que ainda são só ideias. Não é necessário clareza máxima ao iniciar. Precisamos ousar, sermos artistas; nenhum texto é perfeito. A busca por perfeição é paralisante.  Há que buscar melhoria contínua.  Podemos pegar emprestado, roubar, como um artista, o estilo de alguém até encontrar o nosso. O segredo de uma boa escrita está na escolha das palavras, e saber cortar as desnecessárias.  Temos que pensar na audiência. O que me interessa pode não ser relevante para o leitor.

Segundo Henrique  Carvalho em seu curso "Escritor Milionário" podemos seguir o esquema I.D.E.I.A

I = Incubação: coletar novos conhecimentos
D= Distribuição: abastecer nosso banco de dados;
E= Estruturação: organizar nossas ideias
I= Iluminação: ter uma grande ideia,
A=Ação: escrever, escrever, escrever.

Tanto Carvalho  quanto Bial pensam  ser essencial começar criando expectativas, aguçando a curiosidade, mas  ser simples, e conciso.
Pedro Bial no curso  "O Ato de Escrever"  diz que  para escrever é preciso ler muito. "Ler tudo, e tudo é texto. A fórmula da vida é texto". Temos que escrever sobre algo que conhecemos, próximo a nós.
  Ao lermos, vamos ganhando intimidade com as palavras e aprendendo a escolher as mais simples, as mais precisas, substituindo adjetivos por substantivos. O texto tem que servir às ideias.

 Os quatro pontos cardeias de um escritor, conforme Pedro Bial 

 Conteúdo, Concisão, Clareza e Humanidade


1. Conteúdo: o que você  quer dizer? É um fato, um conhecimento, ou um sentimento?
Qual a sequência?  Tem início, meio, fim? Há que ter domínio da narrativa. Conviver em silêncio com a história, responder as possíveis perguntas. Se for um acontecimento, explique a si mesmo porque as coisas aconteceram de determinada maneira. Procure entender. Só diga o que necessita ser dito.

2. Concisão. Seduzir, não ser chato, motivar e podar.  As melhores histórias são contadas no osso. Diga tudo que puder com o menor número de palavras, e as mais simples. Dê relevo ao que interessa.

3. Clareza:  contar de forma clara, estabelecer comunicação com o outro.

4. Humanidade: um ser humano falando com outro ser humano. Seja pessoal.  Tenha tanto objetividade como  subjetividade. Para ser ouvido/ lido há que ter algo interessante, despertar interesse, desejo, e contar de forma clara, humana. Um bom começo é por si  só um fim. Uma frase entregando para a seguinte. O título tem que ser matador.  Descrever em detalhes não é tão bom quanto sugerir.
 Há, sempre, um texto não verbal. Importância do silêncio na escrita. Deixar subtendido, o que não é necessário ser  dito. Cortar palavras.

 Algumas regras básicas:
1. Nunca use clichês;
2. Não use uma palavra comprida se puder usar uma curta;
3. Seja direto; corte as palavras desnecessárias;
4. Não use a voz passiva, se puder usar a ativa;
5. Não use palavras estrangeiras;
6. Quebre todas as regras, se for necessário.

Os textos jornalísticos seguem o formato de  "LEAD", ou seja, devem responder as 5 perguntas WH ( inglês), acrescentando a forma, maneira.

What  = o quê
Who   = quem
When = quando
Where= onde
Why   = por quê

How= como

 No texto jornalístico a função é hierarquizar as informações, da mais importante/ relevante a menos importante, e é necessário precisão das palavras utilizadas.
 Os demais textos seguem estilos, que podem ser:

A- Narrativo: análise crítica e reflexiva do assunto: romances, novelas, contos, crônicas, fábulas. Tem uma apresentação, desenvolvimento e clímax com seu desfecho. Precisamos de enredo,  personagem, tempo, e espaço. Podemos usar o discurso direto (a própria personagem narra); discurso indireto o narrador interfere na fala da personagem) Narrado na 3a pessoa. Indireto livre. Há intervenções do narrador e das falas das personagens.

B- Dissertativo: geralmente  solicitado em exames e concursos, como o vestibular. Apresentar uma opinião; realizar uma análise crítica; apresentar argumentos/ fatos ou dados para justificar ou defender ideias. Pode ser escrita na 1.ª ou 3.ª pessoa. Pode ser expositivo, ou argumentativo.

Expositivo: expor ideias de forma concisa, apresentando fatos e ideias;
Argumentativo: tentar convencer/ dissuadir o leitor de uma opinião/ ponto de vista. Pode ser objetivo ou subjetivo. O objetivo tem uma abordagem impessoal (3.ª pessoa). Subjetivo (1.ª pessoa) Ponto de vista do autor.

 A dissertação deve ser estruturada em:
 
Introdução:  referir o assunto, contextualizando o caminho a ser percorrido para defender um ponto de vista ou opinião;

Desenvolvimento: dissertar sobre todos os argumentos, informações e ideias que permitam que a mensagem convença o leitor do porque de seu ponto de vista;

Conclusão: deve expor as consequências do assunto. Não pode ser um resumo do que foi informado. Deve sugerir  ações para resolver os problemas referidos.




segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Aceitação x Rejeição

 

 Em toda a família há o rejeitado, menos favorecido, e há também a ovelha negra. Aquele que rompe com os padrões,  rejeita o estabelecido.
Imagino que, talvez, meus irmãos tenham se sentido, preteridos, em desvantagem com meu nascimento, e os mimos, mas minha posição não foi mais confortável. Era muito cobrada, e  privada de ter companheiros, amigos. Há mágoa? Tristeza talvez, mas consigo entender o lado deles.  Eles me consideravam rebelde, brava, e acredito que sou, ainda, em determinadas situações, quando sinto que meus direitos não estão sendo observados, ou há injustiça. No passado, entretanto, era  minha reação  à muito controle, à muita crítica. Sempre  há os dois lados de uma  história:  há a rejeição porque o ser em questão é mais rebelde, não adere ao estabelecido, confronta, questiona, quebra regras; e o do rejeitado, que  se sente preterido, não considerado, não amado, não validado e incluído.

“Existem somente duas palavras que sempre levam você ao sucesso - sim e não.” Jack Canfield

Aceitação, como a  própria palavra expressa, implica em  concordância. Estamos satisfeitos e aceitamos a nós mesmos, nossas escolhas, a maneira de ser/agir do outro,  e seus valores. Aceitamos ou validamos algo, ou alguém quando o mesmo está em sintonia,  com o que julgamos correto,  bom, e nos é  familiar. Também, quando admiramos, e gostaríamos de ser como alguém. Há uma  identificação, reconhecimento, e inclusão, seja  em nosso ideário,  círculo  de amizades, ou grupo familiar/ social.   
Tudo que nos é similar, que não confronta nossos padrões comportamentais, é  mais fácil de aceitar, integrar,  e é bem-vindo; aquilo que diverge, rompe com estruturas de pensamento e comportamento, tende a ser, imediatamente, rejeitado por divergir,  questionar o que consideramos certo, nossa verdade. Também acontece quando  nos amedronta,  e coloca em xeque nossas certezas.


A aceitação e /ou rejeição está presente em todos os campos de nossa vida, desde o  seio familiar, escolar, profissional,  e no amoroso. 

 Eu  sou a temporã de 4 filhos, 3 homens. Cheguei 7 anos mais tarde.  Portanto, a menina que  veio ao mundo, quando não era mais esperada, a Maria Aparecida, que apareceu.
Nasci em uma época que meus pais estavam melhor de vida, e  fui muito mimada. Tive  mais oportunidades e pude  cursar: piano, teoria e solfejo, balé, inglês, desde pequena,  além de  viajar  mais, com meus pais. Lamentavelmente, isto gerou  ciúmes nos irmãos, que ao invés de brindarem  minha chegada,  acredito se ressentiram  muito, de meus privilégios.  Até a casa da praia  ganhou meu nome. Placa que na 2.ª reforma, meus irmãos deram sumiço.  Ao longo de minha infância, ao invés de serem meus amigos, foram segundos pais, sensores, críticos ferozes,  que  ao invés de me validarem, só me inibiram com suas constantes críticas, observações, e cuidado excessivo. 

Nos bancos escolares,  é  possível observar como um grupo de alunos pode  rejeitar alguém que não adere aos ritos de roupa, linguajar e modo de agir, específicos de determinada faixa etária/social. O "bullying" é um produto extremado desta rejeição, que se origina de preconceitos, e de mentes rígidas, que não lidam com o diferente.  Nas relações amorosas isto também ocorre. Há, inevitavelmente, em qualquer desfecho amoroso alguém que vai se sentir rejeitado. É a vítima? Não, necessariamente.  Acredito que ninguém o é, pois, cada qual tem que ser responsável por suas ações, e cada ação tem sua consequência.

 Atualmente, vivemos um período de  muita exposição, e de busca de validação nas redes sociais. O resultado de tanta exposição é uma polarização de ideias. Há uma rejeição forte, de um lado, às ideias de cunho social,  que  procurem minimizar as disparidades sociais, e que tendem a ser reduzidas a esquerdismos; e as de direita, super liberais, que  privilegiam as elites, e acabam sendo  negacionistas. 

 Toda rejeição implica em  sentimentos de antagonismo, mágoa, tristeza, inadequação, baixa autoestima. É necessário trabalhar estes sentimentos negativos, os substituindo  por outros, de aceitação, e da busca do positivo.

 O que a situação  trouxe de bom? O que te levou a descobrir  em ti, nos demais?  Que possibilidades foram abertas?

 Em toda a aceitação há uma rejeição, e na rejeição uma aceitação. Fazer escolhas é difícil, mas é o que temos que fazer diariamente: escolhendo e rejeitando de acordo com nossos valores, gostos, hábitos e estilos de vida. Nossas escolhas ditam as consequências. Uma não vive sem a outra.  Aceitamos algo porque excluímos outras  opções; e na exclusão, aceitamos a  opção que nos parece melhor. 

Teremos, em 2022, nova oportunidade de fazer uma escolha, e tomara que o povo  não aceite ou vote em alguém somente por rejeitar determinada opção. Há que analisar com muita calma  para definir o que  aceitar na nossa rejeição, e o que  escolher.  Na minha visão, há que olhar para o indivíduo, sua história pessoal, seus valores de vida, e não somente o partido que representa. 

Cida Guimarães
20/09.2021

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Experiências marcantes!

 Há acontecimentos inesquecíveis em nossas vidas, por serem:  inusitados, felizes, tristes, engraçados, trágicos, surpreendentes. Tocaram todas as camadas de nosso ser, e independente do passar do tempo, e das mudanças que a vida  ocasiona,  iremos, sempre, recordar com saudade. 


Hoje, lembrei de quando  as netas vinham passar as férias de julho conosco e íamos  ao Beto Carrero World.  
 Adorávamos ver as expressões felizes,  encantadas, e curtir a presença delas, observando  suas descobertas. Período especial, guardado, com muito amor. 
Fui buscar fotos destes  anos,  que se estenderam até a adolescência, quando os interesses delas foram mudando, mas só consegui estas duas da Luana, que ela tinha.  Acredito que devo ter guardado em um CD.
Esta lembrança  ativou uma série de outras, especiais, marcantes.

Não vou mencionar o nascimento dos filhos,  minha separação, quando conheci o Juan, o nascimento das netas, ou a perda de entes queridos porque estes são marcos da minha vida: uns alegres,  de celebração; outros tristes,  de dor, que definiram etapas, formas e maneira de ser. 
Vou  focar em outros,  que também  ficaram na memória porque adicionaram conhecimento, cor, sabor, diversão, espanto e curiosidade.

 Uma de minhas melhores lembranças foi o curso de métodos e produção de materiais de ensino, em Nottingham, Inglaterra,    através  de uma bolsa de estudos pelo British Council. Tive o privilégio de ter  mestres  do gabarito de Sheelagh Deller, Simon Greenall,  David Foll. Além de  seu aspecto multi cultural, com participantes de inúmeros países, foi empoderador, me abrindo  um leque de possibilidades para atuar mais efetivamente.  Posso dizer que houve um antes e um depois de 89.


Além de ter me possibilitado viajar e conhecer muitas cidades da Inglaterra, me familiarizando com hábitos e costumes, voltei com outra visão, mais capacitada, em muitos aspectos.  Depois, tive mais duas experiências maravilhosas de cursos no exterior,   também com bolsas de estudo: uma em Cambridge, Inglaterra,   e outra em Sarasota, USA, que me fizeram crescer como profissional, ampliando conhecimentos e habilidades.

 Mais tarde, já aposentada, em  viagens pelo mundo,  com meu marido, pude conhecer outras culturas, e vivenciar situações inusitadas. Algumas das inesquecíveis:

Nova Zelândia
Surpreendente! Fomos a Nova Zelândia por ser próximo da Austrália, nosso destino principal. Este país  nos encantou com seus campos, repletos de ovelhas. Há mais ovelhas do que gente; paisagens lindíssimas, povo cordial,  que mantém e cultiva sua origem Maori. Me impactaram os Geysers em Rotorua, as cavernas de  vagalumes, e os Kiwis. Tudo novo, inesperado, surpreendente.



Tailândia
Encantou com seus templos incríveis, natureza exuberante, povo delicado, gentil e supersticioso. Amei Phang Nga. Toda a costa de Krabi e Phuket é maravilhosa, mas as cidades de  Ayutthaya (imperial), Chiang Mai e Chiang Rai ao norte, também são destinos imperdíveis.
Me espantaram as "Karen Long Necks" e seus pescoços com argolas douradas. História impressionante, mescla de superstição, medo e vaidade. Vivendo em palafitas, são  lindas e hábeis artesãs. Em um passeio de  elefante, nosso condutor,  sentado no pelo do animal foi, durante o caminho, tecendo  folhas de árvores,  que  viraram um anel para mim e um gafanhoto para o Juan. Dá  para esquecer algo assim?
 Quase  desistimos da viagem a  Tailândia, pois, no dia e hora de nosso embarque,  ficamos retidos em Amsterdam, devido à  erupção do vulcão da Islândia, que fechou o espaço aéreo da Europa. Foi muito desestabilizador, apesar de estarmos amando Amsterdam, a sensação  de sermos impedidos  de viajar, e sem saber quando o faríamos, foi enervante.  Ficamos retidos por 5 dias, e tivemos  reservas canceladas e planos alterados. No final, deu tudo certo, e anos mais tarde fomos ressarcidos, em uma ação contra a KLM, que na ocasião não  prestou nenhuma assistência.


 Marrakesh, Marrocos

Choque  cultural. Como optamos em ficar dentro da medina,  tivemos uma espécie de imersão na forma de vida dos marroquinos. Foi difícil! Um mercado com uma mistura de gente, cheiros, produtos variados, que assusta pelo inusitado. Muito espanto com a rudez dos negociantes, que não aceitam um não, e querem te vender a qualquer custo, com muita barganha. Fiquei horrorizada quando um deles enrolou uma cobra em meu pescoço, no meio da praça Jemaa el-Fna. E não a retirou até eu dar algum dinheiro, e tirar uma foto com ele e a cobra.  Puro horror!


Grécia  e  seus contrastes.
 A mistura de natureza, história, arquitetura, múltiplas  igrejas, inúmeros gatos, burricos em Santorine,  praias de areia vulcânica, um mar azul, e o  colorido  de suas casas  faz um todo de  puro deslumbramento.


Japão 

Marcante pela  amabilidade, educação, civilidade do povo. Tudo funciona neste país de super organização, educação, tecnologia, e respeito às tradições. Há também muita beleza em suas cerejeiras em flor, jardins, parques e templos.
Amei as corredeiras de Hozugawa. Foi muita emoção quando descemos em velocidade o rio de pedras. Adrenalina pura!

Também amei a floresta de bambu de Arashyama em Kyoto
 e o  templo de Fushimi Inari.
                            A cerimônia do chá  é  algo lindo e inesquecível.


Dubai

 Surpreendente com a opulência de suas construções, a excentricidade de seus habitantes, de homens lindos, de branco, e mulheres como urubus, todas de preto; o luxo de suas construções, seus Souks pitorescos, de especiarias, ouro;  a mansidão de seu deserto. O anoitecer no deserto é algo indescritível. O tour  inclui um rali nas dunas, andar de camelo, churrasco ao por do sol, em tendas, show de danças árabes, segurar um falcão e ser pintado com hena.
É como estar em um filme de  um sheik das arábias.



      
China

Muito divertido ver as pessoas se espantarem e rirem de nossos trajes (shorts, decotes, e de minhas unhas dos pés, pintadas de vermelho). Minha guia me disse que para o padrão chinês, nós eramos muito "fashion" para nossa idade.  Até fotos pediram para tirar com o Juan.  
Amei e me emocionei com a Grande muralha de Mutianyu,  principalmente por ser um local que minha mãe sonhara visitar.
 Fica difícil imaginar sua construção, que levou quase 2 mil anos, e pelo menos 2 milhões de pessoas.   A sensação é de sermos formigas, e  fomos tomados da mais profunda reverência a sua magnitude.


Há tantos outros lugares, dos quais temos lembranças maravilhosas e distintas, e somos imensamente gratos pelas oportunidades que tivemos de os conhecer porque, de repente, quando menos esperamos, nossa memória nos transporta no tempo e nos faz reviver tudo de especial, guardado na lembrança.

Muita gratidão!


Se houver interesse em  mais detalhes destas e outras viagens/ dicas, acesse meu blog de viagens: www.residencialemeryvillage.blogspot.com

Cida Guimarães
14/09/2021

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Vergonha!




Todos já sentimos vergonha por um ato falho, uma pergunta, observação, atitude; enfim, há  inúmeras ocasiões em que  pensamos por que abrimos a boca, e se houvesse um buraco, nos enfiávamos nele. 
Há  vergonhas bobas, mais oriundas de nosso  ego, e necessidade de aprovação  externa; de não termos  conseguido desempenhar, como desejávamos, ou  como esperado pelos demais; e as colossais, que nos deprimem, nos fazem questionar nossa capacidade, nosso juízo, e valor.

Dia 07/09/21, dia da pátria, da  celebração de nossa independência, senti uma vergonha avassaladora de ser brasileira. Vergonha  de estar presenciando falas grotescas daquele que deveria estar promovendo a união do povo, e buscando formas de minorar as disparidades sociais, a fome, o desemprego,  inflação de preços escorchantes, e também dos milhares que cegamente ostentavam a bandeira com ordens de comando, contrárias à democracia.

Esquecendo de seu papel de líder, de porta-voz de uma nação, e não de uma minoria de lunáticos,  nosso presidente atiçou  um bloqueio  pelos caminhoneiros, parando o país, insultou ministros, e todo nosso sistema constitucional. Também senti vergonha dos milhares de brasileiros que alheios ao caos em que estamos vivendo, de fome, miséria, falta de perspectivas, se enrolaram em nossa bandeira de Ordem e Progresso para protestar contra nossas instituições, e pedir intervenção militar.

Todos podemos ter posições,  visões antagônicas, mas quando nosso mandatário maior ataca  opositores  de forma pessoal,  não  acatando decisões colegiadas, usando palavras ofensivas, e até  mesmo de baixo calão,  não condizentes com  seu cargo, não podemos deixar de sentir uma vergonha incrível,  que nos coloca como uma  verdadeira república de bananas, onde só o que importa é futebol e carnaval. 

É  inacreditável e vergonhoso que após  tantas denúncias de:  "fake news", atuação equivocada na pandemia,  negativismo, incentivo ao  uso de medicamentos, não comprovados,  demora na compra de vacinas, atitude de aglomeração, e afronta  continua às  instituições, ações que podem ser enquadradas como crimes de responsabilidade, os mais de cem pedidos de "impeachment" continuem engavetados, e tenhamos que assistir a um  eterno desmentido, ou pior uma interpretação tosca de suas falas, seguidas de  desculpas esfarrapadas de um ser imaturo, destemperado, e despreparado para a função que ocupa.
Até mesmo nossa bandeira Ordem e Progresso, azul, verde e amarelo passou  a ser usada como sinônimo de lunatismo, negaciosismo, e afronta às liberdades e direitos fundamentais. 

Hoje, nesta polaridade absurda, quem não apoia este ser das trevas é  logo taxado de esquerdista/ comunista. É  uma lástima que  a análise  seja tão superficial, e desfocada e, hoje, a prioridade não seja tornar nosso país, tão rico em belezas e recursos, rico, também, em condições de vida para seu povo, com a educação e a saúde como prioridades,  e possamos, como já ocorreu,  sentir orgulho de sermos brasileiros.

Todos podemos  incorrer em erros, e nos envergonhar dos mesmos, mas isto não quer dizer  cometer sempre os mesmos, e tornar um  hábito  as ofensas, ignomínias, e depois a retratação, com meias desculpas, buscando atenuar os efeitos danosos das atitudes adotadas.
 Até o Temer foi chamado para  conseguir um discurso  de apaziguamento.  Surreal, e super vergonhoso.
 Acorda Brasil. Ordem e Progresso! Temos que andar, não retroceder em  nossas conquistas. Posicione-se É necessário lutar, pacificamente, por nossos direitos.   Vamos construir um país do qual possamos sentir  orgulho, e não vergonha.
Se você concorda,  divulgue, compartilhe, comente. Não se omita. Omissão é concordância.


Cida Guimarães
10/09/2021