Definindo Características de Crônicas, Poesias e Contos

                                                      


Vamos tentar nesta página definir as características e diferenças destes textos literários. Quando comecei a redigir minhas impressões, que denominei reflexões pessoais, não tinha muita noção destas diferenças. Talvez possam ser  denominadas crônicas do cotidiano. 

 O que é uma crônica? Um gênero marcado pela narração de situações cotidianas sob uma ótica individual.  Na crônica, o autor se identifica, e torna público um acontecimento. Expressa seus sentimentos e impressões. É o narrador. Há unidade de tempo e lugar. Penso que estes ingredientes estão presentes em minhas reflexões. ainda não escrevi um conto. 

  Passei das  reflexões, crônicas, para a poesia; Na poesia, expresso sentimentos e visões pessoais. Minha voz é o "Eu lirico". Coloco muito de mim em meus poemas. É minha alma falando.

 A origem da poesia diz que ela nasceu para ser cantada, por isso a preocupação com a métrica e a rima. Hoje, há muitos poemas modernos, onde a rima não se faz presente, parecido com a prosa. Fiz uns  "podcasts " com meus poemas e crônicas, mas amadora, sem mecanismos de qualidade, meus áudios ficaram pobres em qualidade, e acabei eliminando-os.

 Acabei um curso sobre contos, na Plataforma Vida de Escritor, com o Marne  Lúcio Guedes. Ele é autor  de Cio, e roteirista de séries. Segundo ele  "Escrever é  Ver; Viver é Ver". Está contido na palavra: viver. Tudo é VER,

 No conto,  o autor é ficcional. Há um personagem central e um conflito construído de forma crescente até chegar ao clímax ou desenlace. 

Os contos surgiram como "tales" passadas de pai para filho na antiguidade.  Edgar Allan Poe, americano de Boston foi o primeiro autor de contos, que foram depois levados à França por Baudelaire. O conto é sempre ficcional e há um desejo por coisas antagônicas. O autor não aparece. Não há limite de páginas, mas há uma unidade de tempo e lugar. 

 A estrutura de um conto é composta de 4 partes: apresentação do enredo, desenvolvimento dos acontecimentos, momento de tensão (clímax) e solução. 

Há diferentes técnicas narrativas. Qual é a voz? 

 1.ª pessoa; 2.ª pessoa ou 3.ª pessoa ?

Quando a narrativa é na 1.ª pessoa, o(a) personagem narra sua história;

Na 2.ª pessoa, um dos signos (como são denominados os demais personagens da história) narra a história.  É difícil contar em 2.ª pessoa. A epístola é uma narrativa em 2.ª pessoa. Pode haver o narrador oculto (não se identifica). Flaubert, utilizou-se desta técnica, ou o sanguíneo, que  coloca muita paixão na descrição, utilizada por Dostoiévski, que escreve como comentarista.

Na descrição, o autor descreve o personagem, cenário, características. O texto é como se fosse uma música. A vírgula  é uma pausa, dramatiza; o ponto interrompe, impacta. É trágico.
Descrições contemporâneas não podem ser óbvias. Tem que  fugir do lugar-comum. Precisam ser impactantes.

Dissertação e digressão:

 O narrador em 3.ª pessoa é clássico. Iniciou no século XIX. É onipresente. Não se envolve, sabe tudo.  Há também o narrador polifônico. São várias vozes. Cada personagem pode ser uma voz.

 Na dissertação o autor usa a argumentação para defender seu pronto de vista e apresentar sua tese, apresentando dados, estatísticas, pesquisas, exemplos;

 Na digressão o autor fala de outro assunto, interrompe o fluxo narrativo  enveredando por assuntos desvinculados do tema inicial, mas com alguma analogia com o tema central.

Diálogos:

 Há diferentes categorias de diálogos. 

a) Diálogo direto: Personagem x  Signo
b) Diálogo Indireto:  Fala com um signo referindo-se a outro
c) Externo x Interno: fala consigo mesmo
d) Diálogo Intercruzado: 4  ou mais pessoas falando entre si

Até 1940, os diálogos eram por reprodução. Hoje são por aproximação. 

 E. Hemingway fez muito uso dos diálogos por aproximação. Colocam dúvidas no leitor.

 Há algumas características que devem estar presentes. Há a possibilidade de haver:

 Monólogo Interior: reprodução do que a pessoa está sentindo; coloca-se na cena, na cabeça da personagem, expressa os sentimentos na situação. Coloca-se o monólogo, em itálico.

Fluxo de Consciência. James Joyce usou muito esta técnica que leva o leitor a uma  enxurrada de pensamentos caóticos, desordenados.

Construção de Personagens :

 Como construir um personagem de forma consistente? Um personagem nasce de nós, mas  tem vida própria. Tira-se de dentro de nós, mas é outro. Há que;

a) criar uma mini biografia, especificando de onde veio, profissão, idade,  nome, família, profissão; b) estabelecer linha de tempo na história, com eventos significativos, que marquem:  infância:  00-10 anos; pre/ adolescência; 11-18; adultos jovens: 19-30; adultos: 31-45; maturidade: 46-65; velhice: 66 em diante

b)  Estabelecer eventos importantes em cada etapa (positivo/ negativo)

c)   Definir Psiquê: temperamento (inato) personalidade, carácter

d)  Estilo/ vestuário

e)  Tipo Físico

f) Idiossincrasias. Algo particular do personagem. Um tique, um hábito consistente.

 Um conto precisa  ter  ingredientes básicos: 

a) Precisão, utilizar o número certo de palavras/ dizer o que necessita ser dito; b) Densidade, ter impacto, ser profundo, dizer algo que não foi dito ainda daquela maneira;
c)  Forma/, a maneira como você conta a história;
d) clímax, conflito,  levado ao seu ápice.





 

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