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sábado, 28 de agosto de 2021

Um sábado nublado!

                  

 Amanheceu com uma bruma,  céu  coberto de nuvens, dia emburrado.                                                                                                                        
                                          

Fui, como habitual, caminhar pela extensão da beira da praia, de minha Garopaba querida. Olhando a paisagem, deste dia invernoso e carrancudo, e ainda assim,  por suas  nuances, e  contrastes, marcante, não pude deixar de comparar o tempo com nossos estados  de espírito, ciclos de vida, que vão se alterando, gradativamente.

A única  constante é  a mudança; em segundos, dias turbulentos e sombrios se transformam  em límpidos e claros.  Estações se alternam, assim como nossas preferências, objetivos, esperança,  humor, hábitos. 
É uma obviedade; entretanto, nem sempre, mantemos serenidade para encarar, aceitar e superar os obstáculos, as decepções, nossas dores  e dificuldades de forma adequada. Tampouco,  lidar com os sucessos,  alegrias, e  prazeres, como temporários, finitos, cambiáveis, sem orgulho e/ou ostentação.

A ambivalência de tudo, as inevitáveis  mudanças  são  as únicas certezas que temos, e é bom olhar para o tempo e saber que de repente o sol vai aparecer, esquentar, iluminar e alterar todo o cenário, que logo, tudo, vai, novamente, se alterar.
Precisamos apreciar a troca, a mudança, a finitude, como crescimento, renovação,  e olhar o novo como oportunidade para fazer diferente.
 Gosto da frase em inglês que diz: "Today is a gift called present".  Sim, cada dia é um presente. Estamos vivos para fazer diferente, apreciar  esta nova oportunidade.

 A vida tem me presenteado com uma variedade de problemas, e decepções, mas  também com surpresas, encantamento e alegrias. Acredito que isto se aplica a todos. Para uns com maior intensidade,  para outros, mais suave, mas ninguém  passa pela vida a passeio.

Sou muito grata por  tanto o negativo quanto o positivo, pois não poderia apreciar o belo se não tivesse o feio. Precisamos de ambos.
 
Embora curtir mais este dia!

Cida Guimarães
28/08/21

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

O inesperado em nossas vidas!



 Como lidamos com as incertezas, e o inesperado são determinantes para  nosso bem-estar emocional, desenvolvimento  pessoal, bons relacionamentos, e sucesso profissional. 
E, geralmente, como lidamos mal!

 Sempre esperamos que as pessoas ajam como pensamos que seria o certo, que digam o que gostaríamos de ouvir, que os acontecimentos sigam a ordem ou a forma como sonhamos. Raramente, isto acontece.  Será que  a falta é dos outros, da vida, que não é justa conosco, ou nossa mesma, que construímos fantasias em nossa cabeça? 
Acredito que nós somos os  principais responsáveis por nossas frustrações.  Não temos isenção e distanciamento para olhar e aceitar as pessoas e fatos, como realmente são, e não como esperamos que o sejam.

 A única certeza que podemos ter na vida é de  nossa finitude e de sermos, todos, seres imperfeitos; o resto é mistério,   surpreendente e inesperado. O problema é que esquecemos disto, e  idealizamos pessoas, relacionamentos, situações, acontecimentos.  O resultado, na maioria das vezes, é nossa  decepção, pois raramente a realidade é conforme a idealizamos. Nossas expectativas determinam as emoções resultantes, e  invariavelmente nos decepcionamos.
 Já viajaste a algum local que te disseram ser fantástico, tudo maravilhoso, e  tua experiência foi totalmente distinta? O contrário já ocorreu? 

 Nossa frustração e consequente decepção tem pouco ou nada a ver com as pessoas em questão,  ou com os fatos, ou lugares, mas  sim com  nossa idealização dos mesmos;  como imaginamos que seriam, em nossa não aceitação da realidade. Não buscamos olhar por uma perspectiva diferente, ver o positivo, tentando descobrir  se não acabamos por ser beneficiados.
 
Os pais deviam treinar os filhos a lidarem com as  frustrações,  pois  estas serão  inevitáveis. Não o fiz, acredito que amaciei o caminho deles, pensando estar fazendo o melhor,  pois também não fui treinada, neste sentido, e não tinha a maturidade e o conhecimento, de hoje. A vida vem me ensinando, às vezes de forma dolorida. O inesperado pode ser muito frustrante, quando diverge do sonhado.

 Quando, entretanto,  com zero expectativa de que algo positivo vá ocorrer,  somos surpreendidos por ações de gentileza inesperada, por palavras confortadoras ou amigas, que alegria nos inunda. É o inesperado agindo, e é maravilhoso! Nada esperávamos, ou julgávamos, até, que o pior iria ocorrer e, nessa altura, algo fantástico acontece. Ficamos radiantes.  Zero expectativas= grata experiência.
 Vivenciamos isto esta manhã, e foi incrível ver a solidariedade de estranhos em ajudar, a buscar soluções para nosso problema. Foi o inesperado causando, primeiro, muita angústia na busca de uma solução, e depois júbilo, vendo tudo ser resolvido como que por milagre.
Explico. Fomos a Florianópolis para uma sessão  de terapia da coluna, do Juan (meu marido), no ITC Vertebral, no Centro Empresarial.  Ao estacionar o carro na rua lateral, não reparei haver uma vala, ao lado do meio fio, que não estava protegida com gradil, e acabei com os pneus, primeiro o  traseiro, e depois quando tentei sair, o dianteiro, entalados na vala, ficando impossível  manobrar/ tirar  o carro. A largura da vala era  a do pneu, e  como era funda não havia maneira. Depois de já estar contatando com o seguro para providenciar guincho, o que também foi bastante frustrante, com as diferentes opções do "menu whatsapp", outro carro foi estacionar atrás do nosso, e avisamos para que não ocorresse o mesmo. O motorista  estacionou, com nossa orientação, e logo se prontificou em ajudar, querendo levantar o carro com meu marido.  Claro, só os dois  foi impossível. Resolveu  pedir ajuda para alguns operários de uma obra,  em frente,  e eles vieram, já  com pedaços de pau, como talas,  que usaram para criar quase que uma rampa de forma que pudéssemos tirar o carro. Disseram: "Toda semana cai um, aí." Já tinham todo o esquema pronto.
Foi lindo, e muito incrível ver as pessoas ajudando, colaborando, desinteressadamente. Quisemos  recompensar e não aceitaram. Sentimos um renascer da certeza que há muita bondade, e que somos todos perfeitos, em nossa imperfeição.

 O inesperado que nos deixou com uma sensação  reconfortante, feliz!

Cida Guimarães 
18/08/21

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Perdas e Ganhos





                        

Quando algo de  bom ou ruim acontece, em nossas vidas, temos a tendência a olhar para o fato, sem considerar todas as suas implicações.  Na hora, o impacto é bom ou ruim, e ficamos eufóricos, tristes ou profundamente abalados. Somente quando a emoção se dilui, e ganhamos certo distanciamento, conseguimos olhar para as consequências, e, estas,  muitas vezes, nos surpreendem.

Em todas as situações, estamos,  invariavelmente, ganhando  e/ou perdendo algo. Não existe só  o positivo;  o negativo está sempre acoplado, e vice-versa. Parece meio louco e exagerado, mas comecei a pensar em nosso desenvolvimento e evolução, e como, ao longo dos anos, vamos ganhando em conhecimento/ experiência,  mas, também, perdendo nosso olhar inocente e maravilhado, nos tornando mais céticos,  menos receptivos, mais desconfiados. 
No processo de envelhecimento, pessoas queridas vão ficando no caminho, e também  muitas capacidades vão sendo reduzidas:  visão, audição,  massa muscular, energia, e em muitos casos, memória e condições cerebrais. Estas perdas graduais vão nos ensinando a lidar e  assimilar melhor o inevitável, sabendo, entretanto, que se estivermos atentos e buscando nosso desenvolvimento, poderemos ter ganhos exponenciais de conhecimento e sabedoria. 

Nossos  filhos são nossas joias preciosas,  mas cada um, demanda muito em atenção e cuidado, com  saúde, bem-estar físico e emocional,  sucesso. Sem eles, não somos nada; com  eles, há, inevitavelmente, preocupações, as mais diversas. Óbvio, que a balança pende para o positivo e há muito mais a ganhar em os ter, do que a perder.  Filhos são nossa marca no mundo, e deixamos, neles, um pouco de nós. São nossa fonte de amor incondicional; um ganho inestimável.

Lembro da época em que estava na ativa, longas horas de trabalho, muitas relações, compromissos, agenda cheia, ganhando mais dinheiro, tendo reconhecimento, mas com muito pouca qualidade de vida. Sem tempo para mim ou minha família.  Olho para minha jornada, analiso minhas escolhas e constato muitas perdas, mas, também, muitos ganhos, e,  sei que se as perdas não houvessem ocorrido, muita coisa boa, também não teria tido lugar. Então, olho para elas agradecida, pois foram essenciais  para uma mudança de rumo, para  novas escolhas de vida.

Na vida somos motivados/ sabotados pelo prazer ou pela dor, ou seja, pelo que queremos atingir, ou pelo que queremos evitar; nossos sonhos ou nossos pesadelos. Ao fazermos escolhas temos que estar colocando na balança os ganhos (motivações), e as perdas (dissabores), e avaliando se teremos mais pontos positivos e/ou  negativos,   com a clareza de que nada é  só  positivo por si só /ou negativo. Tudo, sempre, tem seu reverso, e se não  aceitarmos esta realidade, seremos, muito infelizes. 

Se temos sucesso em nossas profissões e ganhamos muito dinheiro, ficamos escravos de horários, obrigações, etc. com liberdade reduzida.   Não existe só  o positivo, e isto é  bom, pois nos leva a valorizar o que há/ou  temos  de motivação (ganhos). O negativo vem sempre a reboque. Toda vez que ganhamos algo, há uma perda inevitável. Precisamos ter consciência do que queremos, e do que estamos  dispostos a abdicar.  É  um processo difícil, e doloroso porque estamos,  quase sempre, em busca da perfeição,  e esta, não existe.

Você é  motivado pelo prazer ou pela dor? Quer o ganho,  ou prefere evitar perdas? 
Reflita e veja se neste processo você está ganhando ou perdendo mais? 

É sempre possível mudar nossas escolhas, e prioridades, sendo a reflexão, e o  desenvolvimento de nosso autoconhecimento, o caminho possível e mais eficaz.



Cida Guimarães
10/08/2021

terça-feira, 27 de julho de 2021

Sozinho? Solitário? Solidão?


                                

  Penso que somos todos sozinhos; cada um de nós, em nosso mundo individual, que abrimos para tão poucos. Paralelamente, nunca estamos, inteiramente sós,  temos espíritos amigos que nos acompanham, e, outros, que  nos atordoam, e temos nossos eternos pensamentos. 

Como Érico Veríssimo diz, abaixo, nossos pensamentos são nossos companheiros de todas as horas. Precisamos controlá-los, limitar  sua importância, não deixar que nos dominem.

 Se temos nossos pensamentos, não estamos sós. Que sensação horrível quando estamos em meio a outros, e nos sentimos mais sós do que nunca porque os demais não estão interessados em nosso eu real,  sendo tudo superficial, sem troca, sem  emoção. Precisamos fazer a viagem interior, conhecer  melhor nossas ideias, pensamentos, e as emoções que desencadeiam. 

Há muitos momentos em que gosto de estar só, e não me sito solitária, nem triste. Preciso de meu espaço, meu tempo. Tempo para ser eu mesma, para  organizar ideias, repensar coisas, imaginar, planejar.   Há, outros cenários, entretanto, que podem ser bem assustadores.

Fui uma criança muito sozinha por não ter irmãos de minha idade, e meus  pais serem super protetores, envolvidos com seus próprios afazeres. Brincava com minhas bonecas, inventava histórias, diálogos.   Nunca fui de ter muitos amigos. Alguns poucos, ao longo da adolescência. Aprendi, desde cedo, a conversar com meus botões. Depois, fui superando minhas inadequações, ficando mais social.

Solidão, é uma palavra, um sentimento, que significa coisas tão  diferentes para cada um.  Há pessoas que podem adoecer de solidão, entrando em depressão; outros, a temem tanto que preferem ficar em relacionamentos ruins para não ficarem sós, ou terem que lidar com este sentimento.

 Geralmente, os velhos sofrem de solidão. Parece que alguns já se desligaram, e estão em seu mundinho paralelo. Talvez, devido a problemas de surdez, desinteresse dos demais, em ouvir suas histórias repetidas. Lembro bem de meus pais, em seus últimos anos,  quase sempre alheios ao que estava rolando, ou recontando  suas velhas histórias. De alguma forma já haviam se desligado desta época, e estavam revivendo, o que foram suas experiências felizes.

Me surpreendeu, entretanto, uma pesquisa, na Inglaterra, que constatou o  crescente índice de  jovens solitários, e que a solidão vem sendo um problema na juventude, e da atualidade. Por que será? Quando temos, hoje, tantos meios de comunicação, tantas  redes sociais? Talvez porque tudo seja  muito superficial, a comunicação não é do meu  EU (Real) com o Teu EU (Real),  e sim com nossas fachadas sociais.  Quando não conseguimos uma interação efetiva,  quando não somos reconhecidos em nossa essência, voltamos para o nosso  esconderijo, nosso casulo.

 Nesta pandemia este sentimento  de isolamento, não pertencimento, aflorou, se disseminou, de forma avassaladora,  devido a estarmos, todos, forçosamente, isolados e impossibilitados de  ver/ estar com seres amados, a transpor fronteiras, a ir e vir, como estávamos acostumados. Tivemos que mudar hábitos, e buscar novas formas de contato.

Quando estamos sós temos que lidar com nossos diabinhos interiores, analisar nossos pensamentos, emoções, fazer a viagem interior que pode ser tão penosa, mas também pode iluminar nosso caminho, sinalizando equívocos, e apontando direções.


Somente quando identificamos quem realmente somos, e lidamos com nossas imperfeições podemos ficar em paz, quando  sós.

Como você lida com a solidão? Gosta de estar só ou esta possibilidade o aterroriza? Compartilha. Adoraria saber como se sente a respeito.

terça-feira, 20 de julho de 2021

Saudade

 

Sentimento que pode ser lindo, triste,  romântico, nostálgico, e que nos invade de diferentes formas. 

Palavrinha que gostamos de dizer ser propriedade de nosso idioma, dificilmente traduzida em outras línguas.  Será? Talvez não exista uma palavra equivalente, em todos seus sentidos. Em uma pesquisa sobre termos mais difíceis de serem traduzidos, ficou em 7º lugar. Todo idioma tem palavras e expressões que são muito particulares, e não possuem um termo equivalente nas demais línguas.

Saudade tem sua origem no latim "Solitatem" (solidão), mas adquiriu, com o galego, novo sentido. Usamos o termo  de forma nostálgica, triste, romântica, e  para marcar a importância  dos demais em nossa vida, sinalizando a falta, pela distância, dos seres amados, dos lugares, que nos marcaram; quando perdemos alguém, algo, ou nos perdemos de nós mesmos. Você já sentiu saudade de você mesmo? 

Eu acho esta palavra linda, e há momentos em que o sentimento também é gostoso.  É bom lembrar cenas de nossa infância, juventude,  datas e eventos que ficaram na saudade. Recordar os filhos pequenos, suas descobertas, vitórias, percalços.  Lembranças queridas de momentos que não vão voltar.  e  que gostaríamos muito de  reviver, matar as saudades.  Talvez, viver, mais intensamente, cada uma das fases de nossas vidas que, hoje, já estão empanadas, e esmaecidas pelo tempo. Entretanto, nunca conseguimos, pois, mesmo que a gente reviva a experiência,  esta não é, e nunca será igual, e ficará sempre a saudade do que foi e não é mais.

Há tantas pessoas que passaram em minha vida das quais sinto muitas saudades! Umas, já, não mais vou encontrar; talvez, em outro plano. Ficaram em mim.  Outras, que ainda é possível, mas fica a dúvida de como será este reencontro. A mesma energia, sintonia, laços de afeto, ou a distância já terá criado um muro de frieza e reserva? 

Sim, a distância aumenta a saudade, mas também  cria muros de proteção, nos torna mais reservados, sem a mesma naturalidade, intimidade. Já não mais compartilhamos nossas dores, e amores, nossos bons e maus momentos.

Lugares, cheiros, comidas também nos deixam com muita nostalgia, com vontade de revisitar, de reviver momentos.  Assim me sinto em relação à casa de meus pais, na Lucas de Oliveira. Estão tão vivos em minha memória seus espaços: as salas, copa, cozinha, nossos quartos, o pátio, as inúmeras árvores frutíferas, as roseiras do papai. Lembro quando o levei perto de Montenegro para comprar e o cuidado, e carinho com que cuidava delas.
A casa da praia, que por muitos anos teve uma placa com meu nome, "veraneio Maria Aparecida", também  me remete a momentos felizes. Praticamente nasci lá, pois foi construída quando eu ainda estava na barriga da mãe, e foi nosso local de veraneio por muitas décadas.
                                         casa na Lucas de Oliveira

  O aniversário de minha mãe, no dia 24/12, sempre deu lugar à celebração do Natal,  festejado com um lindo, e enorme presépio, montado pela mãe, com  Papai Noel, e toda a família reunida.
Ela  preparava tudo, com muito amor e cuidado. Sempre se doando. 

  Natal na Vó Emery
 
Uma comida, um cheiro, provocam em nós sensações de pertencimento. Os doces em compota que mamãe fazia: laranja-azeda, figo, doce de batata-doce, de abóbora.  Sempre havia um docinho. Recordo-me que mesmo já  com idade avançada, fazia seus doces,  que nos ofertava quando a íamos visitar, dizendo: "Um docinho de batata-doce, um licorzinho?"
Adorava licor de vinho do Porto, e tomava seu cálice diariamente.
Estão  vívidos,  em minha lembrança,  os  aniversários  dos filhos, e os lindos bolos, com temas de princesas, e outros tantos, elegido pelos netos, que mamãe preparava, com tanto amor.
Minha primeira casa própria, na rua Barbosa Gonçalves, também é uma lembrança preciosa da infância de meus filhos, que podiam brincar na rua, encenar peças, colocar banquinhas para vender revistinhas, andar  de skate, etc.

1ª aniversário da  minha filha, Cristina, na Barbosa Gonçalves, entre os irmãos André Luis e Patrícia,  e primos Guto ,  Zé Antonio, Márcio, e Toninho ( no colo da  tia Lilia).

Saudades de outros tempos, quando recebíamos cartas, cartões postais, visitávamos as pessoas, sem precisar telefonar antes.  Ah, ligávamos, também. Era ótimo quando o telefone soava, ou a campainha tocava.  Muitas festas de aniversário na família. Todo mês tinha uma.  Imagina, nesta crise, com uma festa e presente a cada mês?
Havia mais interação, mais poesia nos relacionamentos, mais delicadeza no trato.

Será que este é um papo saudosista? Talvez, mas, sempre fica a vontade de reviver tudo que foi belo e bom. Saudades do que já foi. Nas outras etapas de minha vida, não tinha consciência da importância de viver o momento presente, de como tudo é fugaz, e que tudo é troca, mudança, sendo necessário curtir cada momento, como se fosse nosso último, porque não irá se repetir.
 Carpe Diem!


CidaGuimarães
20/07/2021



domingo, 6 de junho de 2021

Qual seu nível de tolerância?



Tolerância,  do latim "tolerare", aceitar, ser aberto, condescendente às  diferenças,  às maneiras de ser, opiniões  e atitudes contrárias.   Digerir algo,  reagir com tranquilidade, considerar com respeito.

Lamentavelmente, esta atitude de aceitação, de  abertura para ouvir, sem julgar, tentando entender, está ausente de nosso convívio  político, religioso, das mídias e de nosso trato social, e até mesmo familiar.

Os rótulos são postos com facilidade inacreditável, e uma manifestação, em relação a qualquer fato/notícia, dá lugar a uma adjetivação extremada. Não existe uma discussão de ideias, de objetivos, de planos. Tudo é muito raso, polarizado, quando todos sabemos que não existem verdades absolutas, e que as certezas são ignorantes. 

O  Brasil sempre foi um país preconceituoso, machista,  intolerante de suas raízes raciais, de suas tradições afro-descendentes, menosprezando  a capoeira, o candomblé, umbanda e vários outros ritos e costumes. A  escravidão foi extinta somente no século XIX (13/05/1888), sendo o último país da América a abolir a mesma. Nosso país demorou a criminalizar a escravidão porque a economia açucareira era extremamente  dependente da mão de obra escrava, ou seja, para salvar a economia, abriram mão da humanidade. Parece algo muito recente, não?
 Sim, está acontecendo, hoje, com nossas comunidades indígenas, com  nossos agricultores, e com nosso povo que está sendo joguete de interesses políticos e econômicos a custa de sua  vida. Milhares de vidas que passaram a ser números. Uma tragédia banalizada por índices de: mortos, de infectados, de curados, etc. Não colocamos  nossa energia  de povo para lutar, com unidade, por vida, saúde, educação, quebra de discriminação de sexo, raça, orientação sexual.

Em nosso mundo globalizado,  há uma busca  por  universalizar costumes, tradições, aceitando o que é similar, e descartando o que nos desafia por ser distinto. Há, entretanto, que preservar o que nos identifica como povo, raça, cultura, e que faz parte de  nossa herança cultural. Aceitar diferenças, mas valorizar o que temos de único, especial.

Há culpados? Sim, todos somos. Não digo culpados, mas responsáveis  pela situação que hoje vivemos, em nosso país. Cada um com sua voz, sua atitude, sua maneira de agir, suas opções, influencia outros, e vivemos, hoje, o resultado de nossas escolhas, e elas estão muito ruins.  As mudanças têm que ser do individual para o coletivo. É preciso mudar! 



 Julgamos com uma facilidade inacreditável. Não procuramos entender ou descobrir as intenções por trás das ações. Somos implacáveis  em relação aos outros, mas quanto às nossas falhas, os nossos erros? Estes, geralmente minimizamos, ou até mesmo fazemos de conta que não existem até o dia que a conta chega, E ela chega, através de situações, as mais diversas, quando, então, temos  que encarar e administrar nossas dificuldades, nossos buracos negros.

 Eu mesma, através de "Mindfulness" venho tentando melhorar meu nível de tolerância, que admito não é dos mais altos, quando as questões envolvem injustiças, direitos, e deveres não cumpridos.  Hoje, tento apertar o botão "pausa", antes de reagir.  Procuro repensar, e olhar por uma perspectiva distinta, entender o porquê das atitudes, palavras alheias. 
Atualmente,  está quase impossível não se indignar com ações e omissões de quem deveria estar defendendo os interesses do povo. Há, portanto, muito, ainda, que me revolta sobremaneira, pois nossa tolerância não pode ser confundida com permissividade, com aval para atitudes ignóbeis e de desrespeito à vida, e aos direitos dos cidadãos.
 

 Você se considera tolerante, em relação a quê?  O que te tira do sério?

" A tolerância é a melhor das religiões."

 Victor Hugo

" A maior represália contra um inimigo é perdoá-lo. Se o perdoamos, ele morre como inimigo e renasce a nossa paz. O perdão nutre a tolerância e a sabedoria."
Augusto Cury


CidaGuimarães
06/06/2021







terça-feira, 1 de junho de 2021

Qual seu investimento mais importante?



Quando a palavra é investimento, logo pensamos em ouro, dólares, euro, letras de câmbio, debêntures, tesouro direto, etc. Raramente, pensamos em nós mesmos, nossa família, nossos afetos, nosso tempo. 

Kain Ramsey, meu tutor de cursos, sempre muito instigante,  em uma postagem, no grupo, "Principles into Practice", questiona o seguinte: 

"Você está desperdiçando, gastando ou investindo seu tempo?"


Não havia pensado na ótica do tempo, como investimento. Claro, é conhecido o ditado americano, "Time is Money", mas a ideia aqui é de não desperdiçar, não de investir. Há uma diferença, gritante, entre gastar e investir  seu tempo. Quando gastamos, estamos nos livrando, ou esgotando algo. Não estamos tendo nada de volta; ao passo que quando investimos, estamos tendo algum retorno, recompensas calculadas  Nosso tempo, nesta vida, é o que há de mais valioso; é finito, e não recuperável. Uma vez gasto, não teremos mais a oportunidade perdida. Nada será igual. Cada momento é único. Não podemos desperdiçar, gastar. Há que investir!

"Mindfulness" foi de uma importância fundamental para despertar minha consciência plena, de estar alerta, focando no momento, identificando objetivos, estabelecendo prioridades, definindo o que realmente importa.
Steve Jobs disse: "Aprender é investir em nosso futuro e no das próximas gerações."  É o que eu ando fazendo, atualmente. Investindo em conhecimento. Estudando sobre o ser humano, ampliando minha compreensão de mim mesma, através da reflexão e autoconhecimento, entendendo os outros, e ganhando novo olhar sobre os processos comportamentais, mentais e de relacionamento, obtendo, desta forma, novas ferramentas para melhor gerenciar minha vida, e lidar com as problemáticas, que vão surgindo.

Durante parte de minha vida, me dou conta, hoje, por razões múltiplas, desperdicei momentos importantes;  não investi o suficiente em mim mesma, e nos meus amados, imersa e sufocada por atividades e compromissos diversos: trabalho, filhos, casa, estudos... Não tenho remorsos. Sei que fiz tudo o que podia, que  tinha condições, na época, considerando meu grau de maturidade e consciência. Não dá para voltar e refazer a jornada, mas dá, sim, para tirar lições importantes, e posso, hoje, olhar para a vida de forma distinta, e  valorizar cada momento, cada instante vivido. 

Precisamos de TEMPO para tantas coisas, não gastando, mas investindo:

                           em nós mesmos, meditando, refletindo, definindo metas;


                                      em tempo de qualidade com nossa família;


                                      em  estudar, se atualizar, trabalhar;


                                                             em lazer;


                                                 em gratidão e amor.

Como você está investindo seu tempo? Está priorizando o que é realmente mais importante para você, ou está no piloto automático? 
Pare, analise, e veja se é necessário alterar o curso, e reestabelecer ordem de prioridade. Não desperdice seu tempo;  ele passa muito rápido, e, depois,  fica a sensação de pena, lástima  por  não ter estado mais presente, não  ter curtido cada momento, em sua plenitude. Afinal, o tempo voa!

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quarta-feira, 19 de maio de 2021

Qual o papel da escrita em sua vida? (1a parte)



Faz quase um ano,  que iniciei este ‘blog’, que surgiu de minha necessidade de organizar o conhecimento, que venho adquirindo nos cursos, iniciados em 2019, e também expressar minhas emoções, percepção e entendimento sobre eles, e sobre outros assuntos que me tocam (minhas reflexões pessoais).  

O ato de resumir as lições,  expressar a minha visão,  tem sido fundamental no processo de reflexão, análise, e compreensão das mesmas.  Nenhuma leitura, entretanto, é passiva; é sempre uma simbiose entre texto e leitor. Fazemos inferências, interpretamos, conforme nossas vivências, e maturidade, e o produto de minhas postagens está impregnado de minha visão do material estudado.  Minha única frustração  é que apesar de mais de mil visualizações, ninguém interagiu com algum comentário, pergunta, crítica  ou observação, e a sensação é de monólogo. Não tenho ideia de como estes textos estão sendo recebidos.  Minha explanação tem sido clara, objetiva? Tem ajudado? Leva a questionamentos? Mil perguntas, sem respostas....  
Apesar da falta de "feedback" me deixar sem um cenário claro; considerando que não sei se os que têm acessado são sempre os mesmos, se meu estilo,  agrada ou não, continuo este Blog porque para mim, é terapia pura, e me leva a entender  melhor tudo que estudo, e vivencio, e irá ficar como legado de meu amor pelo conhecimento.

Entender a nós mesmos, como  seres humanos, falíveis, cheio de imperfeições é das tarefas mais árduas.  Tenho a sensação  que passei parte de minha vida no piloto automático, olhando tudo com viseiras, que me impediam de ver o que ocorria ao meu redor. Sempre focada no trabalho, na família, na casa, me perdi de mim mesma,  e do que acontecia de relevante, e o que, realmente, importava. Tanta coisa que não curti, não vivi, não fiz. Acredito que comecei a viver de forma "mindful" na minha fase madura,  quando conquistei uma independência financeira e emocional, e pude tomar as rédeas de minha vida, e me dedicar a outros interesses.  Sou, hoje, outra pessoa, e posso, com o distanciamento adquirido, olhar para minhas ações, e me surpreender com minha dedicação, entusiasmo, arrojo, destempero, e muitas vezes teimosia. Orgulho-me de várias  conquistas;  me envergonho de algumas atitudes, mas tudo foi aprendizado, crescimento, pessoal e profissional.


Hoje, me conheço melhor, identifico meus pontos fortes e fracos, sei o que me tira do sério, e cada dia me sinto mais livre,  mais segura de mim mesma, sem necessidade de aprovação, e despreocupada sobre a imagem que posso estar passando. Desenvolvi minha auto estima, auto imagem e valor e, consequentemente, me sinto liberta para ousar e expor ideias, e sentimentos. A escrita é  parte de minha vida. Sempre registrei acontecimentos importantes em um diário, minhas viagens, em um "blog"; enfim, a escrita sempre me ajudou a reter e processar informações.
Atualmente, é muito abreviada nas mensagens de texto, quando não adulterada pelos corretores automáticos. Li, em algum lugar, que as palavras na ‘internet’ são como tatuagens digitais. Faz todo o sentido, pois é difícil, impossível até, apagar as mensagens escritas, e mesmo quando conseguimos, já foram lidas e repassadas.  É tudo muito rápido e perigoso. Sem tempo para processar, corremos o risco de atropelar a comunicação.



Escrever, para mim, é uma forma fantástica de organizar  ideias, pensamentos,  não deixando que os mesmos se transformem em emoções, e sejam extravasados  de forma descuidada e perigosa.  Estou terminando meu último curso na área psicológica, e já estou pensando qual será o próximo.
 
Como você se sente a respeito?
Compartilha alguma de minhas ideias ou elas lhe parecem totalmente, sem sentido? Você não precisa se identificar, se não quiser, mas  adoraria saber como  estas ideias ressoam em você. 



quarta-feira, 5 de maio de 2021

Você é livre ?

 

LIBERDADE 

Sou livre? Quando? Como?
Me peguei, hoje, pensando em liberdade, e nas perguntas acima. Sinto-me livre caminhando na praia, com o vento no rosto, mirando o horizonte, o mar,  as ondas quebrando na praia,  as gaivotas alçando voo, e  as nuvens sobre os morros.
A natureza me faz sentir livre, leve, em paz.

Quando a pandemia iniciou nos vimos cerceados, limitados em nossa liberdade de ir e vir, de  viajar, de estabelecer contatos, de viver, como melhor nos aprouvesse, e as restrições impostas sendo contestadas por muitos, que se rebelam com o cerceamento de sua liberdade.

Afinal o que é liberdade? Na Grécia antiga era associada ao ato de pensar, de filosofar. Ser livre era ser mestre de si mesmo,  ter domínio sobre suas ações. Para Aristóteles, liberdade era a capacidade de decidir  sobre um determinado agir ou sua omissão; Sócrates,  dizia ser a capacidade de dominar seus sentimentos, pensamentos, a si próprio. É célebre sua frase: "Conhece-te a ti mesmo."
Concordo com esta visão de Sócrates. Como posso ser livre se não sou nem dona de mim mesma?
Quando não me conheço e sou dominada por impulsos, pensamentos limitantes,  me torno escrava dos mesmos, minha liberdade está restrita, delimitada. Eu mesma imponho limites à minha liberdade de maneira infinita. Quando minha auto estima é baixa, sou presa de minhas limitações, posso ser dependente de meus hábitos, minhas manias. Somente desenvolvendo meu auto-conhecimento posso, gradativamente, ir me desvencilhando das amarras de conceitos arraigados, e me tornando mais senhora de mim, mas, ainda assim, não livre, pois, há os afetos, a família, a situação financeira, a profissão que vão me aprisionar, em seus esquemas. 
Podemos ser totalmente livres? Acredito que não. Nossa liberdade será sempre condicionada ao meio em que vivemos, às leis, aos códigos de conduta, à cultura do país, aos direitos dos outros.



Há 3 categorias de liberdade: 

1- SER LIVRE DE:  sem restrições, amarras, preconceitos;
2- SER LIVRE PARA:  liberdade para agir, tomar as decisões que quisermos;
3- SER LIVRE PARA SER. Ter liberdade não apenas para fazer o que quisermos, mas para sermos quem quisermos ser.

SER LIVRE PARA SER para mim, é a principal. Se eu for  a minha melhor versão, autêntica, fiel a mim mesma, vou ser livre para buscar as demais liberdades. Sendo o melhor que eu possa, nos limites impostos por minha consciência, meus princípios, e  parâmetros de referência. Penso que jamais seremos totalmente livres porque se  eu for, estarei de alguma forma cerceando a liberdade de outrem, ou até mesmo de meu eu interior.


sexta-feira, 26 de março de 2021

A felicidade é uma arte?



 Estou lendo um livro, incrível, "The Art Of Happiness", de Howard C.Cutler, um psiquiatra, palestrante, e escritor, no qual relata suas entrevistas, e vivência com o Dalai Lama.  O resultado é um misto das declarações, pensamentos, ensinamentos de Dalai Lama, e das considerações e conclusões de Cutler. 
Nem é preciso mais qualificações, certo? 

                                     

É a felicidade uma arte? Exige talentos específicos?

 Nunca havia pensado sob este ângulo, mas faz todo sentido. A felicidade é  difícil, trabalhosa, considerando  que estamos todos, sempre, em sua busca,  e  demanda foco, atenção, sendo, quase sempre,  breve, fugaz, enganosa. Quanto mais a buscamos nas coisas efêmeras,  quanto mais expectativas, criamos, mais desapontados ficamos.  Todos queremos ser felizes, sendo o que, também  mais desejamos para nossos seres amados, felicidade.

Há uma infinidade de autores, inclusive Cecília Meireles, com obras sobre a arte da felicidade; livros de auto-ajuda, com mensagens de alto astral, cursos de ‘mindfulness’, nos ensinando a focar no positivo, e  fazer, como Polyanna, no "Jogo do Contente". Me fascinava na pré-adolescência, a ideia que a felicidade é um exercício diário de olhar o que nos acontece por diferentes perspectivas, de ver outros ângulos e tirar o que há de positivo, no que estamos vivendo. Entretanto, lidamos muito mal com a vida, e com os problemas. Estamos, sempre, em busca do que nos falta. O copo nunca está cheio. 

 Há uma receita para sermos mais felizes? No que consiste esta arte?  Pelo que já li, tem tudo a ver com a nossa  forma de ser, de encarar a vida, os problemas, as inúmeras dificuldades, que encontramos  no caminho.
Para o budismo, sofrer é inerente à vida, e as dificuldades, são as lições a serem aprendidas. Há que olhar o que nos acontece, sob diferentes perspectivas. Buscar o positivo. Tirar uma lição.  Uma validação  do jogo do contente, que me ajudou em algumas fases.

Segundo Dalai Lama a arte de ser feliz requer educação, aprendizado constante, determinação, esforço, persistência e entusiasmo. Exige muito, pois para sermos felizes temos que aprender a lidar com e superar o sofrimento, visto, pelo budismo, como essencial para nos humanizar, e  ajudar a desenvolver a compaixão.

Na prática do  budismo, o sofrimento aumenta nossa capacidade de ter compaixão, e empatia, nos  ensinando a nos colocar no lugar do outro. 
Há um  exercício  de meditação "Tong-Len" para atingir este objetivo.  Através deste exercício de visualização, procuramos  colocar, em nossa mente, os entes sofredores (sujeitos), e os problemas que estão vivendo, à esquerda de nosso campo de visão. Estão  subjugados por sua dor; a nossa direita, o julgador, auto-centrado, seguro, indiferente; no meio, o observador,  distanciado, imparcial, tentando se colocar no lugar das pessoas sofredoras, que estão enfrentando as dificuldades. 
 É fácil tentar se colocar no lugar dos que estão  curvados pela dor, sentir o que estão experimentando, vivendo? Não, é  árduo. Tentamos fazer este exercício em nossa vida?  Será  que agiríamos de forma semelhante? Nossa visão/  julgamento muda ou é  afetado quando fazemos o exercício de nos colocar no lugar do outro?
Temos empatia, flexibilidade, compaixão, tolerância, aceitação do outro, com seus problemas e dificuldades, ou esperamos que tudo e todos ajam conforme nossas expectativas, que são, por vezes, equivocadas, e irrealistas? 
Somente quando sentimos as condições do outro, entrando em seu lugar, experimentando o que estão sentindo, vivendo, é possível  compreender, perdoar, se humanizar, e entender que o  sofrimento é uma parte natural, integrante da vida, e quando a dor nos atinge, não estamos sendo injustiçados.  A vida está nos dando uma oportunidade para mudar, ser melhor. Há que olhar por diferentes perspectivas,  entender diferentes visões, e tirar lições das experiências vividas. 

 A prática budista tem 3 premissas: a primeira premissa é que há desejos positivos e negativos, sendo que os positivos são relacionados às nossas necessidades básicas,  justificáveis,  têm uma base sólida;  os negativos, supérfluos, não  têm base, são injustificáveis(ganância, desejo excessivo, baseados na necessidade de ter mais, insatisfações).

 A 2.ª premissa parte do pressuposto que ao cultivarmos emoções positivas,  vamos gradualmente, eliminando as emoções negativas. Nossos estados mentais agem como antídoto às tendências negativas.  Ao  desenvolver  amor, compaixão, ou gratidão, vamos  eliminando os sentimentos negativos e tendo uma sensação prazerosa de libertação.

A 3.ª premissa considera que a natureza essencial da mente é pura, e fica toldada pelas emoções negativas. Portanto, conforme o budismo, as aflições, emocionais e mentais, podem ser eliminadas através do cultivo de forças antidotas, como o amor, a compaixão, tolerância e esquecimento, e através de práticas como a meditação focada. Seu método para atingir a felicidade é baseado na ideia revolucionária que nossos estados mentais não são intrínsecos, mas sim obstáculos que podem ser superados.

Esta importância do pensamento positivo tem acolhida na Psicologia Cognitiva de Albert Ellis e Aaron Beck, que consideram  que nossos problemas  têm origem em  ideias preconcebidas, pensamentos distorcidos, e crenças limitantes, e que a cura ocorre com a identificação dos mesmos, e sua substituição por pensamentos positivos, de desenvolvimento de nossa auto-estima e consequente empoderamento.
 Esta corrente tem acolhida nas recentes pesquisas científicas, que demonstram o poder dos pensamentos positivos em mudar a estrutura e função do cérebro.
As piores emoções  negativas são  a raiva e o ódio.  Estas são  tão  destrutivas, que acarretam problemas físicos (cardíacos, digestivos, etc). Para combater  estas reações  impetuosas de fúria e ressentimentos  é  necessário desenvolver  paciência e tolerância.  Há  que identificar e tentar neutralizar estes sentimentos, através de seus opostos: amor, compaixão, tolerância e paciência. Vai  demandar muita dedicação e esforço  diário. No livro há  recomendação de meditações, que podem ajudar a evitar que tenhamos explosões temperamentais, no futuro.

Não queremos, com isto, dizer que  ao superar as emoções negativas só teremos sentimentos positivos e uniformes. Nada permanece igual. Nós vamos mudando a cada momento, e nossas emoções vão se alterando. Sabemos que tudo é impermanente, que a mudança é um fato do qual não há como fugir. Nada permanece igual. Nem  um momento é semelhante ao outro.  Todavia, ingenuamente, esperamos que as sensações, os afetos  não se modifiquem, com o passar do tempo, e nos incomodamos com isto. Nós mudamos,  externa e internamente; os lugares se modificam, e os sentimentos, também vão se alterando.
Já viajastes a algum lugar onde já estiveste há alguns anos?  É incrível que nosso olhar é sempre distinto. Ou não apreciamos o suficiente, da primeira vez, ou na 2.ª achamos tudo mais feio e desinteressante. A impressão nunca é a mesma. Como vamos querer que sentimentos permaneçam inalterados? 
 Não quer dizer que deixamos de amar, mas vamos amar de forma distinta, madura, enxergando o outro na sua humanidade, imperfeita, como a nossa. Quando nos aceitam, e aceitamos o outro, integralmente, somos autênticos, e felizes.

Dor e sofrimento   em contraponto com a  alegria, prazer, felicidade.  Polos opostos. Um não existe sem o outro. Um, valida o outro. Não  posso ser feliz se não  souber o que é  a dor, o sofrimento. Entretanto, os sentimentos cultivados,  serão os preponderantes em  nossa vida, e há que lutar contra os que nos colocam para baixo, que nublam nossa capacidade de entendimento e aceitação.

 Ser feliz é uma arte que demanda  a busca do positivo, do belo, das bençãos, e requer observação, cuidado, delicadeza, dedicação, muito esforço, e gratidão. Uma luta diária que só os  que se dedicam, totalmente, conseguem colher os frutos.


CidaGuimarães 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Divagando sobre nossas diferentes idades!




"Qual seria sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?" Confucio


Hoje, não sei porquê, me vi pensando em nossas diferentes idades. Geralmente, contrastam nossa idade cronológica, com a  biológica. A primeira é incontestável, e é a que nos identifica, habilita ou incapacita nas etapas de nossa vida para diferentes atos, ou funções.  Já a biológica é responsável por nossa aparência, força física, intelectual, e  por comentários, que recebemos ou fazemos, tipo:  "Estás ótima! Parece muito mais jovem"; "É mesmo? Quem diria?" Alguns verdadeiros, outros, não tanto. 
 Há, para muitos, uma preocupação excessiva com o parecer jovem fisicamente, com a opinião dos demais. Creio que poucos se preocupam com nossa idade psicológica. Sim, para mim, esta 3a idade, é a mais importante, e  tem a ver com nossa forma de pensar, e viver. Talvez seja nossa idade espiritual.
 Hoje, aos 74 anos,  fisicamente,  me sinto com se tivesse, ainda, nos meus 50. Graças às caminhadas, que, hoje, faço diariamente, yoga, "‘mindfulness’, uma alimentação saudável, sem o fumo, que, estupidamente, fez parte de minha vida por muitas décadas, tenho disposição e agilidade. Vivi por muito tempo uma rotina de trabalho extenuante, no piloto automático, sem apreciar cada momento, e sem cuidar de meu físico ou espírito.
 Ah, minha 3a idade, a espiritual, psicológica, esta é varável. Há dias que me sinto uma criança, deslumbrada por um por do sol, uma flor, uma gaivota comendo um peixinho à beira-mar, admirando os passarinhos e lagartos  no meu jardim; outras, uma adolescente cheia de sonhos, planos de viagens, cursos; e outras, ainda, uma velha presa ao passado; de como poderia ou deveria ter agido, em circunstâncias diversas, triste pelas escolhas/atitudes erradas, ou equivocadas. Estas diferentes sensações  podem ocorrer em um mesmo dia, semana, mês. De repente, um acontecimento inesperado te leva para uma destas diferentes fases...
Hoje, graças a Deus,  sou extremamente grata pela fase de vida, que estou  vivendo. Tenho tempo e capacidade para PARAR, ANALISAR E REPENSAR, e principalmente buscar um agir mais consciente e focado.
 Considero que usualmente, minha idade psicológica atual é de um adulto maduro, consciente, que está em busca de aperfeiçoamento contínuo e cuja ambição, hoje, é de fazer  o melhor que eu possa no resto de meus dias, deixando para meus filhos, netas um legado de fé, coragem,  determinação, e defesa da justiça. Que me lembrem mais por dar muito amor,  defender meus ideais, e crenças, com coragem e audácia,  do que pelos meus erros e desacertos, que sei, foram muitos. Não tenho mais ambições de adquirir este ou aquele bem, sei que tudo que temos são posses temporárias, mas desejo, ainda, aprender tudo que me leve a entender  melhor a vida, a mim mesma, e  os demais, e também  que me ajude a progredir, como pessoa.
 Claro, se possível, desejo ainda conhecer outros lugares. O viajar  renova, e  nos transforma em nossa melhor versão.

“Um homem que não se alimenta de seus sonhos, envelhece cedo.”WILLIAM SHAKESPEARE

terça-feira, 9 de março de 2021

Justiça x Injustiça



Ontem, 08/03/21, houve a decisão do ministro Fachin, anulando as sentenças da Lava Jato contra  Lula por considerar a 13a Vara Federal de Curitiba apta, exclusivamente, para jugar crimes praticados direta e exclusivamente contra a Petrobras, e  que Lula tem o direito de  ser julgado por um tribunal competente, de forma isenta, justa  e apartidária.

Possivelmente, todos que desenvolveram ódio ao (PT) e a figura de Lula, como seu líder incontestável, devem,  agora, estar irados,  revoltados contra  o que consideram, possivelmente, uma decisão abominável.

" Pensar é difícil, é por isso que   a maioria prefere julgar." Carl Jung

Como podemos ser justos se  não colocarmos emoções, preconceitos a parte, e olharmos /pensarmos os fatos com isenção, sem paixão?  Temos todos os dados, conhecemos  as intenções, por trás das histórias? Conseguimos nos colocar no lugar do outro para ver se gostaríamos de ser julgados da mesma forma? 

 Vemos, diariamente, exemplos flagrantes de injustiças, sejam elas de ordem econômica, política, racial, sexual, étnica. Ficamos indignados, dizemos:  "Que injustiça!",  quando  as mesmas nos atingem,  mas silenciamos, e até mesmo aplaudimos quando vão ao encontro de nossa forma de pensar e agir.  Será que somos justos em nossos julgamentos precipitados, em nossa avaliação superficial dos acontecimentos, e de como rotulamos pessoas, sem as conhecer?

Todas as grandes figuras da humanidade foram incompreendidas, injustiçadas, condenadas e mortas pelas mãos dos  "donos da verdade" da ocasião. Não aprendemos com as histórias vividas e, talvez, se até mesmo Jesus, voltasse entre nós,  fosse, novamente, crucificado.  

Endeusamos ídolos de barro.  Nossa tendência é termos um olhar complacente  para com aqueles que fazem parte de nosso círculo de amizades,  que compartilham as mesmas ideias e valores, ou que admiramos. Então desculpamos/  ignoramos suas falhas, omissões, pecados,  mas quando nossos  desafetos incorrem em algum mal feito,  os crucificamos, sem piedade.

No caso do Lula, não sei dizer se foi corrupto ou omisso em ver que a corrupção corria solta.  Sempre, entretanto, lamentavelmente, a corrupção esteve  presente em  todos os nossos governos, e ouso dizer, no povo, de forma geral. Nos pequenos atos, nas pequenas infrações: de trânsito, de declaração de impostos, na adequação e seguimento das leis, na obtenção de vantagens.

 Sendo justos, há que reconhecer que foi somente durante os dois mandatos de Lula que o Brasil alçou uma posição de reconhecimento e  realce no mundo. O país passou a ser respeitado. Hoje, já perdemos, novamente isto.  Foi em seu governo que o povo conseguiu um nível de vida decente, e grande parte da população saiu da extrema pobreza, tendo acesso a bens, outrora inimagináveis. Tivemos várias conquistas que, hoje, se perderam. Retrocedemos em todas as áreas.

  Não é possível não respeitar um ser  humano que conseguiu  superar a  pobreza,  a falta de estudo,  e  que de torneiro mecânico se  transformou em líder, ídolo sindicalista, e foi eleito  presidente da república  por 2 mandatos consecutivos.  Não fala português correto, mas se expressa lindamente;  é um orador nato, tem coerência, luta pelo povo, é empático, e sabe lidar com reis e mendigos. Admiro estas caraterísticas, e quero muito ver um julgamento isento de paixões.
De qualquer forma, não enxergo outra liderança que aglutine, mova  o povo em torno de uma volta à democracia, e direitos plenos, e capaz de tirar o Brasil do atoleiro, em que se encontra, restaurando nossa esperança de um porvir mais justo.



segunda-feira, 14 de setembro de 2020

A pandemia e as mudanças. O que virá?

   


 Em julho deste ano, publiquei um post sobre mudanças, que o Corona vírus  estava trazendo às  nossas vidas. Na época,  não  imaginava que seriam tão  longas e sérias. Hoje,  mais de  6 meses do início da pandemia no Brasil,  me assombra quanto de  nossa vida mudou, neste curto espaço de tempo, que para nós, está parecendo uma eternidade.
 De repente, perdemos nossa liberdade de ir e vir, o outro sinaliza  perigo, e nossas relações sociais se distanciaram.   Vidas foram perdidas, sonhos foram adiados, suspensos, engavetados, negócios fecharam suas portas, enfim tudo mudou.  Sei, que nada, neste vida, fica sempre igual. A vida é impermanente, mas toda mudança nos balança, nos leva a questionar uma série de coisas, e coloca nossas certezas em cheque.

Os mais velhos, como eu, sentiram ainda mais, pois é muito difícil adiar sonhos quando já não se sabe se teremos tempo para os realizar. Somos o grupo de risco e, se ainda temos comorbidades, super risco, mas ninguém tem seguro na vida; e agimos como se tivéssemos uma  eternidade pela frente,  enclausurados, evitando contatos, que possam nos colocar em perigo,  acabando por antecipar nosso fim, morrendo em vida.
 Não me considero velha, acredito que velho é aquele que já não tem sonhos, projetos de vida, mas estou enquadrada em um grupo, que conforme a ciência, tem menos imunidades, e, consequentemente, mais sujeito a  ser infectado, e que tem que ficar recluso. Será?  Creio que temos que nos cuidar, mas não ficar isolados, nos privando de tudo, que nos dá vida, pois, neste caso, a consequência  será pior, vamos nos deprimir, e quem sabe sofrer outros problemas.

Como será nossa sociedade pós pandemia?  Vai mudar? Acredito que sim.  Penso que vamos nos tornar menos expansivos, e quem sabe,  como os americanos, reservados,  contidos; os abraços e beijos, vão deixar de fazer parte de nossos cumprimentos. Hoje, isto já  ocorre à distância, com cotovelos, ou somente acenos. Uma pena, considerando que a amorosidade, nos diferenciava como um povo mais amigável, mais afetivo.  As máscaras, serão usadas mais amiúde, e talvez integradas aos nossos costumes.  Estranhamos muito este uso, parecendo marcianos, mas já era parte do costume dos japoneses, que a utilizavam, sempre que necessário. Lembro que achei muito estranho, o número enorme de japoneses que a utilizavam em 2015, quando não havia pandemia, mas eles já se preocupavam em não disseminar nenhum vírus.  Se preocupavam com o outro.

  Li sobre um médico, doutor em microbiologia da Universidade de São Paulo, e pós doutor pela universidade de Yale, que  disse: "Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, que  se levaria muito tempo para implementar, voluntariamente, estamos tendo que implementar no susto, em questão de meses".  Ele acredita que a pandemia estará marcando o fim do século XX,  que  foi o século da tecnologia.
Sim,  eu também acredito, que podemos pensar no mundo antes, e depois desta pandemia. '
Acredito, também, que  o  "home office" será cada vez mais usual,  com as empresas diminuindo seus custos, com esta modalidade de trabalho,  e o ensino-a distância  será cada vez mais utilizado. 
 Mas, o que mais  espero  é que os valores humanos, como a empatia,  a solidariedade, a defesa do meio ambiente, sejam priorizados, e que o homem se humanize mais, se torne menos egoísta, menos consumista, e busque uma sociedade mais responsável, trabalhando para que esta seja mais igualitária e justa, com respeito às diversidades, sejam de religião, sexo, ou credo.
 Estes são meus sonhos, pois ainda não desisti de sonhar, com um futuro mais promissor para meus filhos e netas.



Vamos acreditar e, fazer, cada um de nós, o seu possível para que vire realidade. Qual o seu sonho? Compartilhe. Comente.

 Cida Guimarães 
14/09/2020